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22 maio, 2018

Procurando Gobi, de Dion Leonard

Autor: Dion Leonard

Título Original: Finding Gobi

Editora: HarperCollins

Número de Páginas: 256

Avaliação: 5/5

Sinopse: Procurando Gobi é o relato espetacular de Dion Leonard, um ultramaratonista experiente que se depara com uma cachorrinha perdida enquanto percorria os 250 quilômetros pelo Deserto de Gobi, enfrentando condições extremas. A adorável filhotinha que mais tarde seria batizada de Gobi, correu lado a lado com ele pelas montanhas, enfrentou uma tempestade de areia, o sol escaldante, cruzou dunas imensas e vilarejos remotos.

Vendo sua determinação e coragem, Dion apegou-se cada vez mais à sua companheira de corrida, inclusive fazendo planos de cuidar dela dali em diante. Porém, antes que pudesse levá-la para casa, Gobi some em uma  cidade chinesa com milhões de habitantes, e Dion começa, então, uma corrida contra o tempo para tentar encontrar a cachorrinha mais uma vez.

Quando a HarperCollins anunciou o lançamento desse livro, confesso que fiquei bem animada, pois imagine que curioso, um ultramaratonista encontrar uma cachorrinha perdida que mais adiante se tornará sua companheira inseparável! E saber que toda essa aventura trata-se de uma história real, me deixou ainda mais ansiosa para ler.

Logo nos primeiros capítulos, Dion Leonard vai nos contando como conheceu a filhotinha e de que maneiras ela mudou sua vida por completo.

“A verdade é que essa cadelinha me mudou de tal modo, que só agora começo a compreender. E talvez, nunca chegue a entender totalmente. Só sei que procurar Gobi foi uma das coisas mais difíceis que fiz na vida. Mas ser encontrado por ela, ah, essa foi uma das melhores coisas que me aconteceu.” (Página 9)

Dion Leonard começou sua jornada como maratonista por acaso, quando saiu de Londres para morar em Manchester e um velho amigo comentou que participaria de uma meia-maratona. Ele avaliou suas condições físicas e chegou a conclusão de que poderia fazer aquilo.

“- Acho que posso ganhar de você.

Dan deu uma gargalhada, A música estava alta, e ele então se inclinou para garantir que eu ouvisse:

– Você o quê?

-Posso te derrotar. Fácil.

– Você não é corredor, Dion. Sem chance.

– Olha Dan, tenho tanta certeza, que vou dar cinco minutos de vantagem para você.” (Página 34)

E foi assim, que com o apoio de sua esposa Lucja, Dion Leonard começou sua jornada como maratonista. Até que um dia, ele é surpreendido com a chegada de um novo viajante.

“Quando me levantei, vi um cachorro. Ele era pequeno, bege-claro e tinha uns 30 cm de altura, olhos castanho-escuros e uma barbicha e um bigodinho engraçados.” (Página 48) 

Gobi, que na verdade era uma cachorrinha, se torna companheira inseparável de Dion em suas maratonas. E mesmo nas condições mais adversas, a pequena parceira estava lá, firme e forte, seguindo seu novo amigo.

“Sem que ela percebesse, havia a observado brincar, e tinha certeza de que tinha ao menos um ou dois anos. Com relação ao seu passado, não haveria jeito. Não poderia dizer se ela alguma vez tinha sido maltratada, afinal, não tinha cicatrizes nem lesões que a impedissem de correr bem mais de 115 quilômetros. Mas então, por que ela havia fugido? Será que havia perdido? Haveria um dono por aí, agora mesmo, perto das dunas de areia em um extremo do Deserto de Gobi preocupado com sua cadelinha perdida?” (Página 105)

Livros como esse tem o poder transformador de mudar nossas vidas, nos fazer refletir e ao mesmo tempo aquecer nosso coração, tamanha a doçura contida em seu enredo. Dion e Gobi são especiais!

Gobi é um encanto, um ser de luz que chegou para agregar a família de Dion e Lucja. Uma doce criatura que deixa uma lição muito preciosa sobre a vida, numa história inspiradora sobre companheirismo e amizade, Gobi com sua garra e determinação nos ensina a amar o próximo sem pedir nada em troca, apenas amor. Livro lindo e emocionante!

 

 

15 maio, 2018

O Rouxinol, de Kristin Hannah

Autora: Kristin Hannah

Título Original: The Nightingale

Editora: Arqueiro

Número de Páginas: 432

Avaliação: 5/5

Sinopse: Franças, 1939: No pequeno vilarejo de Carriveau, Vianne Mauriac se despede do marido, que ruma para o front. Ela não acredita que os nazistas invadirão o país, mas logo chegam hordas de soldados em marcha, caravanas de caminhões e tanques, aviões que escurecem os céus e despejam bombas sobre inocentes. Quando o país é tomado, um oficial das tropas de Hitler requisita a casa de Vianne, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo ou perder tudo.

De repente, todos os seus movimentos passam a ser vigiados e Vianne é obrigada a fazer escolhas impossíveis, uma após a outra, e colaborar com os invasores para manter a família viva.

Isabelle, irmã de Vianne, é uma garota contestadora que leva a vida com o furor e a paixão típicos da juventude. Enquanto milhares de parisienses fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país.

O livro conta a história de Vianne e Isabelle. Duas irmãs com ideais e temperamentos opostos que serão obrigadas a lutar por suas vidas, numa guerra sem trégua.

“Se há uma coisa que aprendi neste minha vida foi o seguinte: no amor, nós descobrimos quem desejamos ser, na guerra, descobrimos quem somos.” (Página 7)

Vianne é uma dedicada esposa e mãe de família que vê seu mundo cair no dia em que seu marido Antoine é convocado para a guerra, enquanto seus país é tomado pelos nazistas. Para piorar a situação, um oficial das tropas de Hitler solicita sua casa.

Sozinha e sendo forçada a conviver com o inimigo, Vianne é obrigada a fazer escolhas difíceis para manter sua família a salvo da qualquer perigo.

Isabelle por sua vez, não teme a ameaça iminente e destemida como sempre foi, parte para a Resistência, arriscando a própria vida os em benefício dos mais necessitados e de seu país.

” – Gaeton Dubois. Meus amigos me chamam de Gaet.

– Isabelle Rossignol.

– Ah, um rouxinol.” (Página 43)

Vianne e Isabelle precisam agora lutar, cada uma a sua maneira, para manter seus entes queridos vivos e sobreviver, mesmo que em alguns momentos isso pareça uma tarefa impossível.

“Sintia-se exausta e abatida até os ossos, mas não podia descansar, Acendeu um lampião e sentou-se no divã.” (Página 253)

O Rouxinol é um romance histórico de passagens difísseis e com uma carga dramática extremamente cruel. O livro possui techos duramente reais, que fazem com que o leitor sinta os horrores da guerra em sua plenitude.

“- Algumas histórias não têm final feliz. Até mesmo histórias de amor. Principalmente histórias de amor.” (Página 367)

Fiquei com o coração em pedaços por essas irmãs e seu destino implacável, e por todo o horror que elas presenciaram e sentiram na pele.

“Isabelle é uma mulher forte. Eu não sou. Sou apenas…uma mãe tentando manter seus filhos em segurança.” (Página 373)

O livro ganhará uma adaptação para os cinemas pela Tristar Pictures, ainda sem data definida. Vamos aguardar para rever Vianne e Isabelle lutando por suas vidas na famigerada Segunda Guerra Mundial. Espero que façam justiça a essa autora fantástica e sua obra maravilhosa!

“São as minhas lembranças. Feridas cicatrizam. O amor perdura. Nós continuamos.” (Página 425)

 

 

23 abr, 2018

A Outra Sra. Parrish, de Liv Constantine


Autora: Liv Constantine

Título Original: The Last Miss Parrish

Editora: HarperCollins

Número de Páginas: 432

Avaliação: 5/5 ♥

Sinopse: Amber Patterson não aguenta mais. Está cansada de ser uma ninguém: uma mulher sem graça e invisível que não se destaca na multidão. Ela merece mais – uma vida de dinheiro e poder como a que Daphne Parrish, a deusa loira dos olhos azuis, tem e não valoriza. Para todos na pequena cidade de Bishops Harbor em Connecticut, a socialite e filantropa Daphne e seu marido Jackson, o magnata do mercado imobiliário, são um casal que parece recém-saído de um conto de fadas. A inveja de Amber poderia consumi-la por dentro… Se ela não tivesse um plano. Amber usa da compaixão de Daphne para se inserir na vida da família – o primeiro passo de um esquema meticuloso para destruí-la. Em pouco tempo, ela se torna a amiga mais próxima de Daphne, vai para a Europa com os Parrish e suas duas belas filhas, e se aproxima de Jackson. No entanto, um fantasma de seu passado pode destruir tudo que ela construiu e, se seu segredo for descoberto, seu plano perfeito pode ir por água abaixo. Com reviravoltas chocantes e segredos tão profundos que te deixarão tentando adivinhá-los até o final da história, A outra Sra. Parrish é um thriller repleto de emoções e completamente viciante, escrito por mãos diabolicamente imaginativas.

A história começa mostrando o perfil de Amber Patterson. Mentirosa nata, muito persuasiva e perspicaz. Se infiltra na vida de Daphne e com seu plano diabólico, vai sorrateiramente destrinchando a vida da “Nova Melhor Amiga”. Em um piscar de olhos, Amber torna-se imprescindível na vida de Daphne. Sempre solícita e humilde, a nova moradora de Bishops Harbor, era mesmo um achado, uma preciosidade que sem levantar suspeitas, estava sempre disposta a ajudar no que fosse preciso.

Li vários thrillers com personagens que possuíam o mesmo comportamento doentio de Amber, adoro esse gênero! Mas, a protagonista criada por Liv Constantine superou alguns desses personagens igualmente distorcidos com louvor. Ela vai além em suas maldades, é cruel, maléfica e tem plena consciência disso.

Na sequência somos apresentados a Daphne Parrish, uma socialite, casada com o multimilionário Jackson Parrish e mãe de duas meninas, Tallulah e Bella. Proprietária da bem sucedida instituição “Sorriso de Julie”, cujo nome foi dado em homenagem a sua falecida irmã, vítima de fibrose cística, Daphne desperta em Amber o audacioso sentimento da cobiça. A misteriosa mulher quer ter o que Daphne tem, quer frequentar os mesmos lugares que Daphne e o mais perigoso de tudo, ela quer ser Daphne.

Amber chega na vida de Daphne de maneira sutil, fazendo parecer que sua  presença não passava de uma grande coincidência ou obra do destino.

“- Ah, meu Deus, Amber. É inacreditável. Estou começando a sentir que foram os céus que nos uniram.

– Parece que era pra ser – respondeu Amber, depois parou por alguns segundos.” (Página 41)

Contudo, ao longo da trama, acompanhamos uma pessoa fria, calculista e absolutamente obcecada pela vida de outra mulher. Sem uma razão aparente, apenas motivada pela inveja do estilo de vida e classe social de sua vítima, Amber estuda minuciosamente todos os passos de Daphne, que por sua vez, recebe a estranha de braços abertos no ceio de sua família, sem saber que estava alimentando uma cobra pronta para dar o bote.

“Daphne era tão boa que ela quase se sentia culpada.” (Página 109)

Foi realmente uma experiência excepcional acompanhar as astúcias de Amber no intuito de se transformar na outra Sra. Parrish. Sua sagacidade e ousadia, tem requintes de psicopatia e extrapolam qualquer limite. Ela é verdadeiramente diabólica e esta disposta a tudo para conquistar seu objetivo.

“Ela não queria um lugar só para ela. Queria o lugar de Daphne.” (Página 222)

Com um plano mirabolante e estratégias dignas dos melhores enxadristas, num enredo insano sobre segredos, mentiras, inveja e traição, as irmãs Constantine nos surpreendem em seu livro de estreia e conduzem a história de maneira genial, deixando seus leitores extasiados a cada página, e a reviravolta final, fecha com chave de ouro esse thriller espetacular!

Super indicado para os fãs de suspense e para aqueles que pretendem se aventurar no gênero, já é um dos meus favoritos. Sensacional!

27 mar, 2018

Proibido, de Tabitha Suzuma


Autora: Tabitha Suzuma

Título Original: Forbidden

Editora: Valentina

Número de Páginas: 304

Avaliação: 5/5

Onde Comprar:

Sinopse: Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.

Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes. 

Eles são irmão e irmã. 

Mas será que mundo receberá de braços abertos aqueles que ousaram violar um de seus mais arraigados tabus? E você, receberia?

A história de amor vivida por Lochan e Maya é muito mais do que o incesto, é antes de tudo a história de dois jovens lutando juntos para criar sozinhos uma família inteira.

“Você pode fechar os olhos para as coisas que não quer ver, mas não pode fechar o coração para as coisas que não quer sentir. (Página 9)

Eles foram abandonados por seu pai logo cedo, enquanto sua mãe divide-se em “encher a cara” e procurar um novo amante (que mulher odiosa!) deixando-os a própria sorte.

Assim, Maya e Lochan foram obrigados desde cedo a tomar as rédeas de suas vidas e cuidar dos irmãos menores, Kit, Tiffin e Willa. Crianças adoráveis, porém cada um numa fase diferente da vida e com seus próprios questionamentos.

Kit por exemplo, é o típico “garoto problema”, que no auge de seus 13 anos e uma ira incontrolável, acabará tomando decisões irreversíveis que afetarão diretamente todos a sua volta. Os dois menores, Tiffin e Willa ainda são muito novos e pouco entendem do que se passa a sua volta.

Ainda falando sobre o “casal”, Maya é mais passional e impulsiva, não diria que ela é irresponsável, muito pelo contrário, ela é absurdamente responsável, só que nesse caso em especial, ela esta sendo levada totalmente pelo amor que sente. Já Lochan é o mais racional da dupla, tanto que chega a dar pena de tanto sofrimento, são tantos questionamentos, tanto medo, tanta dor, que chega a ser angustiante acompanhá-lo.

“- Nós não fizemos nada de errado! Como nosso amor pode ser considerado horrível, quando não estamos fazendo mal a ninguém? Seus olhos descem aos meus, brilhando úmidos na penumbra. – Não sei – sussurra. – Como uma coisa errada pode parecer tão certa?” (Página 131)

Como começar a defender uma história como essa? Como é possível aceitar algo assim? Eu, sinceramente não sei. Porém, apesar dessa leitura tão intensa e insana, ainda não tenho palavras para definir o quanto esse livro me impactou, quantas reflexões e emoções diferentes ele me transmitiu, o quão linda é Maya e seu amor tão transparente e sem medos.

Lochan, que foi me conquistando mesmo com todos os seus conflitos internos, deixando meu coração em pedaços a cada capítulo. As crianças, que deram um toque todo especial a trama e o quanto essa história é impiedosa e ao mesmo tempo tão imaculada.

Não é um livro fácil e definitivamente não é para qualquer pessoa, acredito que é preciso uma dose extra de coragem, desprendimento e acima de tudo, amor, na sua concepção mais pura, para entender, aceitar e até torcer por um relacionamento condenado como esse.

“Mas como explicar ao mundo exterior que Lochan e eu somos irmãos apenas por causa de um acidente biológico?Que nunca fomos irmãos na acepção da palavra, mas sempre parceiros, tendo que criar uma família real à medida que crescíamos? Como explicar que jamais senti Lochan como irmão e sim como algo muito, muito além disso – minha alma gêmea, meu melhor amigo, parte das próprias fibras do meu ser? Como explicar que essa situação, o amor que sentimos um pelo outro – tudo que aos olhos da sociedade pode parecer doentio, pervertido e repulsivo -, para nós é totalmente natural, maravilhoso e …tão certo?” (Página 238)

Não há dúvida de que se trata de um livro perturbador, reflexivo e dilacerante que caminha por linhas tortuosas entre o certo e o errado, o pecador e o pecado. Mas, ao mesmo tempo é doce, emocionante e visceral, fazendo com que valha a pena cada página lida.

Tabitha Suzuma construiu uma história belíssima, fazendo com que seus personagens conquistassem o coração de seus leitores a ponto de deixar o contexto incestuoso de lado e concentrando-se apenas na vida dessa família e no amor desse casal, mesmo que isso não signifique um felizes para sempre.

 

 

06 mar, 2018

O Filho de Todos, de Thrity Umrigar

Autora: Thrity Umrigar

Título Original: Everybody’s Son

Editora: Globo Livros

Número de Páginas: 344

Avaliação: 4/5

Onde Comprar:

Sinopse: Durante uma terrível onda de calor, o menino Anton foi trancado sozinho em um apartamento. Com fome e desesperado, ele quebra uma das janelas e foge. Sua mãe é encontrada desacordada em um reduto de viciados em crack próximo dali. Ela jamais quis deixar Anton, porém, sofrendo com os efeitos do vício e sem ninguém para ajudá-la, acabou sendo estuprada por um traficante, que a manteve dopada em cárcere privado. Embora o vínculo entre mãe e filho fosse extremamente forte, a mãe vai para a prisão e perde a guarda do menino. Anton é, então, adotado pelo juiz David Coleman, descendente do privilégio da classe alta e branca. Com poucas lembranças do passado, o menino segue os passos da família adotiva, levando uma vida rodeada pelas regalias que só a posição de filho de um político influente oferece. Anton é um jovem negro criado como um membro da elite branca e moldado a acreditar que isso jamais seria um obstáculo para a sua felicidade e o seu sucesso. Quando descobre a verdade sobre sua origem e as circunstâncias que envolveram sua adoção, ele terá que confrontar quem ele realmente é e lidar com as complexidades morais dos crimes cometidos pelas pessoas que mais ama.

Lançado pela Globo livros, O Filho de Todos, vai contar a história de Anton. Um garoto negro de 9 anos que ficou trancafiado dentro de casa, enquanto sua mãe se entregava ao vício das drogas.

No sétimo dia, o garoto quebrou a janela.

A janela estava vedada por uma camada de tinta aplicada anos atrás, e, depois de várias tentativas inúteis de abri-la, ele pegou a cadeira mais próxima na sala de jantar e a arremessou contra o vidro.” (Página 7)

Apesar do começo triste e do passado sofrido, Anton é adotado por David Coleman, um renomado juiz e passa a ser descendente da classe privilegiada, sendo criado para acreditar que a cor de sua pele e sua origem jamais seriam um obstáculo em seu futuro promissor.

Porém, quando descobre a verdade sobre seu passado e a situação que envolveu seu processo de adoção, algo muda e ele terá que encontrar uma maneira de lidar com isso, sem ferir as pessoas que mais ama.

“Por isso disse o que disse. Contou a cruel mentira, apesar de as palavras terem golpeado o rosto dela como uma marreta. Sentiu literalmente enquanto ela absorvia cada golpe, atordoando-se, ficando cada vez mais fraca. E insistiu porque algo estranho aconteceu: quanto mais ele falava, mais acreditava no que saía de seus lábios. Se fosse possível que uma mentira se tornasse verdade, era o que havia ocorrido.” (Página 96)

David Coleman e sua esposa Dolores tiveram uma inestimável perda, e encontraram em Anton, o conforto necessário para recomeçar.

O livro é dividido em quatro partes, cada uma delas narra um pedaço da vida de Anton, da juventude à fase adulta.

A história do menino traz uma perspectiva diferente acerca de raça e classe social. Esse livro nos tira da zona de conforto quando aborda um tema tão importante, aliado a questionamentos sérios sobre os laços que unem pais e filhos.

Foi o meu primeiro contato com a escrita da autora e confesso que estou impressionada com a sensibilidade dela. Thrity Umrigar é maravilhosa e consegue nos envolver em sua trama de maneira única!

O Filho de Todos é um livro sobre autoconhecimento e aceitação, que nos ensina a importância dos laços de sangue e a influência que isso gera em nossas vidas.

“O que Bradley e todos os outros viam quando olhavam para ele:

O negro mais branco do mundo? Ou o branco mais negro?

Qual dos dois ele era?

Qual deles queria ser?” (Página 175)

Embora a escrita da autora seja excelente e a história fluida e bem construída, alguns aspectos no comportamento do protagonista me incomodaram um pouco e isso me impediu de dar uma nota maior ao livro.

Ainda assim, recomendo a leitura de O Filho de Todos, pois é um ótimo livro, que supriu as minhas expectativas e deixou uma bela mensagem.