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10
jan 2017

ARQUIVADO EM: Literatura

Autor: Milton Hatoum

Editora: Companhia das Letras

Número de Páginas: 266

Avaliação: 5/5

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Sinopse: “Dois Irmãos” é a história de como se constroem as relações de identidade e diferença numa família em crise. É a história de dois irmãos gêmeos – Yaqub e Omar – e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino – o filho da empregada – narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado. Buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa, ele tenta reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança, à paixão desmesurada. O lugar da família se estende ao espaço de Manaus, o porto à margem do rio Negro: a cidade e o rio, metáforas das ruínas e da passagem do tempo, acompanham o andamento do drama familiar. Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Romance.

Confesso que não conhecia o livro, mas com a divulgação da minissérie da globo, e a proximidade de sua estreia, corri para ler e foi uma grata surpresa.

A história vai falar sobre a relação de ódio e rivalidade eterna de dois irmãos gêmeos de origem libanesa, Yaqub e Omar. O primeiro, mais tímido, recluso e calado, com um futuro promissor, saiu de casa para morar fora, uma tentativa do pai, Halim, de afastar os gêmeos na esperança de cessarem as brigas.

Omar, gêmeo caçula, rebelde, vivia entre a inércia da ressaca e a euforia da farra noturna. Logo nos primeiros meses de vida, foi acometido por uma grave pneumonia, fazendo com que Zana, sua mãe, o cercasse de um zelo excessivo, uma espécie de mimo doentio, de quem via na frágil saúde do filho, a morte iminente.

Com personagens de perfis psicológicos interessantíssimos, Dois Irmãos revelou-se uma obra singular, repleta de elementos curiosos, além da rica descrição da cultura Manauara, que insere ainda mais o leitor nessa história fascinante.

O relato sobre a vida familiar de Halim e Zana, nos traz a oportuna lição sobre a administração dos conflitos familiares. Impossível não notar as semelhanças da relação desses irmãos com os personagens bíblicos, Caim e Abel e seu ódio indissolúvel, bem como Esaú e Jacó. Percebemos também em Zana um comportamento similar a Rebeca, mãe de Esaú e Jacó, quando releva nítida preferência por um de seus filhos.

“Naquela época, tentei, em vão, escrever outras linhas. Mas as palavras parecem esperar a morte e o esquecimento. Permanecem soterradas, petrificadas, em estado latente, para depois, em lenta combustão, acenderem em nós o desejo de contar passagens que o tempo dissipou. E o tempo, que nos faz esquecer, também é cúmplice delas. Só o tempo transforma nossos sentimentos em palavras mais verdadeiras, disse Halim durante uma conversa, quando usou muito o lenço para enxugar o suor do calor e da raiva ao ver a esposa enredada ao filho caçula.” (Página 244)

Repleta de conflitos e situações bastante conturbadas, a memorável história escrita por Milton Hatoum, é riquíssima na demonstração da natureza humana em suas inquietações e questionamentos. Além, é claro, da busca incessante do filho de Domingas, pela identidade de seu pai, envolvendo de mistério essa obra, já tão rica.

“Alguns dos nossos desejos só se cumprem no outro, os pesadelos pertencem a nós mesmos. (Página 264)

Dois irmãos é um livro profundo e sensível, que agora figura entre os meus livros favoritos da vida, logo, sua leitura é indispensável. Recomendadíssimo, sem dúvida.




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