06 mar, 2018

O Filho de Todos, de Thrity Umrigar

Autora: Thrity Umrigar

Título Original: Everybody’s Son

Editora: Globo Livros

Número de Páginas: 344

Avaliação: 4/5

Onde Comprar:

Sinopse: Durante uma terrível onda de calor, o menino Anton foi trancado sozinho em um apartamento. Com fome e desesperado, ele quebra uma das janelas e foge. Sua mãe é encontrada desacordada em um reduto de viciados em crack próximo dali. Ela jamais quis deixar Anton, porém, sofrendo com os efeitos do vício e sem ninguém para ajudá-la, acabou sendo estuprada por um traficante, que a manteve dopada em cárcere privado. Embora o vínculo entre mãe e filho fosse extremamente forte, a mãe vai para a prisão e perde a guarda do menino. Anton é, então, adotado pelo juiz David Coleman, descendente do privilégio da classe alta e branca. Com poucas lembranças do passado, o menino segue os passos da família adotiva, levando uma vida rodeada pelas regalias que só a posição de filho de um político influente oferece. Anton é um jovem negro criado como um membro da elite branca e moldado a acreditar que isso jamais seria um obstáculo para a sua felicidade e o seu sucesso. Quando descobre a verdade sobre sua origem e as circunstâncias que envolveram sua adoção, ele terá que confrontar quem ele realmente é e lidar com as complexidades morais dos crimes cometidos pelas pessoas que mais ama.

Lançado pela Globo livros, O Filho de Todos, vai contar a história de Anton. Um garoto negro de 9 anos que ficou trancafiado dentro de casa, enquanto sua mãe se entregava ao vício das drogas.

No sétimo dia, o garoto quebrou a janela.

A janela estava vedada por uma camada de tinta aplicada anos atrás, e, depois de várias tentativas inúteis de abri-la, ele pegou a cadeira mais próxima na sala de jantar e a arremessou contra o vidro.” (Página 7)

Apesar do começo triste e do passado sofrido, Anton é adotado por David Coleman, um renomado juiz e passa a ser descendente da classe privilegiada, sendo criado para acreditar que a cor de sua pele e sua origem jamais seriam um obstáculo em seu futuro promissor.

Porém, quando descobre a verdade sobre seu passado e a situação que envolveu seu processo de adoção, algo muda e ele terá que encontrar uma maneira de lidar com isso, sem ferir as pessoas que mais ama.

“Por isso disse o que disse. Contou a cruel mentira, apesar de as palavras terem golpeado o rosto dela como uma marreta. Sentiu literalmente enquanto ela absorvia cada golpe, atordoando-se, ficando cada vez mais fraca. E insistiu porque algo estranho aconteceu: quanto mais ele falava, mais acreditava no que saía de seus lábios. Se fosse possível que uma mentira se tornasse verdade, era o que havia ocorrido.” (Página 96)

David Coleman e sua esposa Dolores tiveram uma inestimável perda, e encontraram em Anton, o conforto necessário para recomeçar.

O livro é dividido em quatro partes, cada uma delas narra um pedaço da vida de Anton, da juventude à fase adulta.

A história do menino traz uma perspectiva diferente acerca de raça e classe social. Esse livro nos tira da zona de conforto quando aborda um tema tão importante, aliado a questionamentos sérios sobre os laços que unem pais e filhos.

Foi o meu primeiro contato com a escrita da autora e confesso que estou impressionada com a sensibilidade dela. Thrity Umrigar é maravilhosa e consegue nos envolver em sua trama de maneira única!

O Filho de Todos é um livro sobre autoconhecimento e aceitação, que nos ensina a importância dos laços de sangue e a influência que isso gera em nossas vidas.

“O que Bradley e todos os outros viam quando olhavam para ele:

O negro mais branco do mundo? Ou o branco mais negro?

Qual dos dois ele era?

Qual deles queria ser?” (Página 175)

Embora a escrita da autora seja excelente e a história fluida e bem construída, alguns aspectos no comportamento do protagonista me incomodaram um pouco e isso me impediu de dar uma nota maior ao livro.

Ainda assim, recomendo a leitura de O Filho de Todos, pois é um ótimo livro, que supriu as minhas expectativas e deixou uma bela mensagem.

06 fev, 2018

Chesapeake Shores

Título Original: Chesapeake Shores

Título no Brasil: Chesapeake Shores

Criador: John Tinker

Gênero: Drama/Romance/Familia

Ano de Lançamento: 2016

Sinopse: Abby O’Brien (Meghan Ory) volta para sua cidade natal de Chesapeake Shores, em Maryland, para ajudar sua irmã Jess (Laci J. Mailey) com a pousada Eagle Point. No entanto, além dos negócios não irem bem, o retorno da jovem ao local é marcado por reencontros marcantes e fantasmas do passado.

Ambientado na fictícia cidade de Chesapeake Shores, a série produzida pelo Hallmark Channel, conta a história da família O’Brien.

A trama começa com a primogênita da família, Abby (Megan Ory), voltando para casa depois de um conturbado divórcio. Mas, Chesapeake Shores abriga muito mais histórias dessa grande família. Histórias essas, que vem a tona com o retorno de Abby.

Conheceremos Jess (Laci J.Mailey), a linda irmã caçula que gerencia uma pequena pousada na cidade visando transforma-la em um lugar mais aconchegante para seus futuros hóspedes.

Temos também a bela Bree O’Brien (Emilie Ullerup), uma escritora que passa por um bloqueio criativo e acredita que voltando para casa conseguirá a inspiração que precisa para concluir seu livro.

Os membros masculinos da família também contam suas histórias, como o belíssimo Kevin (Brendan Penny), filho mais velho dos O’Brien, é médico do exército dos Estados Unidos e voltou para casa durante as festas de fim de ano.

O último dos filhos que irei citar é Connor, o caçula dos homens da família é estudante de Direito e esta tentando aprovação no exame da ordem.

Essa maravilhosa prole, tem um pai, Mick O’Brien (Trate Williams), que precisou trabalhar duro para cria-los sozinho, depois que sua esposa Megan (Barbara Niven), o deixou.

Por fim, essa linda família tem a melhor avó que poderia existir, Nell O’Brien, mãe de Mick, ficou responsável pelas crianças depois do sumiço de Megan e cuidava de todos com o maior zelo enquanto o filho trabalhava.

Com belíssima fotografia e histórias cotidianas encantadoras, o clã O’Brien nos mostra diferentes modos de ver e viver a vida, pelo olhar peculiar de cada um de seus membros.

Sou apaixonada por romances ambientados em cidades pequenas e aconchegantes, acredito que esse tipo de história nos aproxima dos personagens de alguma forma.

A série esta disponível no atual catálogo da Netflix e conta até o momento com duas temporadas de dez episódios cada. Se você gostou da resenha e assim como eu, também é fã de histórias com enredos familiares em lugares pitorescos, não perca tempo, assista agora Chesapeake Shores!

 

30 jan, 2018

O Perfume da Folha de Chá, de Dinah Jefferies

Autora: Dinah Jefferies

Editora: Paralela

Número de Páginas: 432

Avaliação: 5/5 ♥

Onde Comprar:

Sinopse: Em 1925, a jovem Gwendolyn Hooper parte de navio da Escócia para se encontrar com seu marido, Laurence no exótico Ceilão, do outro lado do mundo. Recém-casados e apaixonados, eles são a definição do casal aristocrático perfeito: a bela dama britânica e o proprietário de uma das fazendas de chás mais prósperas do império. Mas ao chegar à mansão na paradisíaca propriedade Hooper, nada é como Gwendolyn imaginava: os funcionários parecem rancorosos e calados, e os vizinhos, traiçoeiros. Seu marido, apesar de afetuoso, demonstra guardar segredos sombrios do passado e recusa-se a conversar sobre certos assuntos. Ao descobrir que está grávida, a jovem sente-se feliz pela primeira vez desde que chegou ao Ceilão. Mas, no dia de dar à luz, algo inesperado se revela. Agora, é ela quem se vê obrigada a manter em sigilo algo terrível, sob o preço de ver sua família desfeita.

Ambientado no Sri Lanka de 1925, o livro vai contar a história de Gwen, uma jovem de 19 anos, recém-casada, que precisa se mudar para o território do Ceilão no intuito de acompanhar o trabalho do marido Laurence, um conhecido produtor de chá da região.

Porém, assim que chega ao novo país, a moça percebe que nada é da maneira que havia imaginado. Intrigada, Gwendolyn passa a observar de modo mais apurado o ambiente em que habita, uma vez que o comportamento singular dos empregados, sempre arredios e de poucas palavras, aliado aos hábitos igualmente suspeitos de seu marido, a levam a crer que algo não se encaixava com deveria.

 

“Ele devia ter suas razões, ela pensou. Mas o que seria capaz de explicar aquela estranha expressão em seu olhar?” (Página 44)

 

Contudo, ao perceber que esta grávida, sua vida muda totalmente, e Gwen passa a dedicar – se por completo a chegada do novo bebê. Quando descobre que dará á luz a gêmeos, seu coração transborda de felicidade, mas, nada a prepararia para o que estava por vir.

Durante o parto, algo surpreendente acontece, obrigando Gwendolyn a tomar uma atitude drástica e inimaginável que a atormentará pelo resto da vida.

 

“Com um mundo inteiro de horrores imaginários rondando sua cabeça e tomando proporções gigantescas, Gwen sentia como se um cabo de aço estivesse espremendo seu peito.” (Página 145)

 

A trama conta ainda com personagens secundários bastante interessantes e imprescindíveis para a construção dessa história incrível, são eles: a Aia Navenna, fiel e honesta, ela se revela muito mais do que uma simples empregada e fará tudo o que puder para ajudar a patroa nas situações mais adversas. O enigmático Savi Ravasinghe, pintor local que nos é apresentado logo no primeiro capítulo e que se revelará uma grande surpresa no decorrer da história. Teremos ainda Fran, que é prima de Gwen, por quem a protagonista tem grande apreço. E por fim, temos Verity, a cunhada mimada de Gwendolyn.

O livro se mostrou uma inesperada e agradável surpresa, jamais imaginei ler algo tão incrível. Entretanto, acredito que o maior e melhor desempenho na trama inteira, tenha sido mesmo da protagonista, Gwen. Afinal, poucos fariam o que ela foi capaz de fazer.

Trata-se de uma personagem brilhante com a garra e a perseverança necessárias para manter a sanidade diante dos fatídicos acontecimentos de sua vida. Maravilhosa!

Primeiro livro da autora publicado no Brasil, O perfume da folha de chá é um romance histórico belíssimo, ambientado no século XX e que me prendeu da primeira a última linha.

Abordando segredos e um sofrimento profundo, Dinah Jefferies apresenta ao leitor uma trama bem estruturada e riquíssima, de forma sensacional. Um livro lindo que aborda de maneira tocante a culpa e o efeito destrutivo que se estabelece na vida das pessoas.

Terminei a leitura repleta de questionamentos e com o coração apertado por tudo o que li e por todas as reviravoltas apresentadas.

“Ninguém nunca dissera que ser mãe significava conviver com um amor tão indescritível que a deixaria sem fôlego, e com um medo tão terrível que abalaria até sua alma. E ninguém nunca avisara sobre a proximidade desses dois sentimentos.” (Página 413)

Recomendo esse livro para os fãs de romance, e para aqueles que apreciam uma boa história. Muito bom!

 

16 jan, 2018

As coisas que fazemos por amor, de Kristin Hannah

Autora: Kristin Hannah

Editora: Arqueiro

Número de Páginas: 352

Avaliação: 5/5 ♥

Onde Comprar:

Sinopse: Caçula de três irmãs, Angela DeSaria já tinha traçado sua vida desde pequena: escola, faculdade, casamento, maternidade. Porém, depois de anos tentando engravidar, o relacionamento com o marido não resistiu, soterrado pelo peso dos sonhos não realizados. Após o divórcio, Angie volta a morar na sua cidade natal e retorna ao seio da família carinhosa e meio doida. Em West End, onde a vida vai e vem ao sabor das marés, ela conhece a garota que mudará a sua vida para sempre. Lauren Ribido é uma adolescente estudiosa, bem-educada e trabalhadora. Apesar de morar em uma das áreas mais decadentes da cidade com a mãe alcoólatra e negligente, a menina sonha cursar uma boa faculdade e ter um futuro melhor. Desde o primeiro momento, Angie enxerga em Lauren algo especial e, rapidamente, uma forte conexão se forma: uma mulher que deseja um filho, uma menina que anseia pelo amor materno. Porém, nada poderia preparar as duas para a repercussão do relacionamento delas. Numa reviravolta dramática, Angie e Lauren serão testadas de forma extrema e, juntas, embarcarão em uma jornada tocante em busca do verdadeiro significado de família.

O livro gira em torno da vida de duas protagonistas, Angela DeSaria e Lauren Ribido. Duas mulheres diferentes, que terão seus destinos cruzados e descobrirão juntas o verdadeiro significado de família.

Angela, é a filha caçula de uma família de descendência italiana e se vê perdida tendo que recomeçar a vida depois de um divórcio. Angie, como é chamada, volta a sua cidade natal e passa a se dedicar de corpo e alma na administração do restaurante DeSaria, tentando salvar o legado de seu falecido pai.

Do outro lado da cidade, esta Lauren, uma jovem brilhante, estudiosa e com grande potencial, que apesar de viver de forma humilde, nutre a esperança de melhorar de vida através de seus estudos. Lauren é dedicada e possui ótimas notas, o único empecilho na vida da garota, é sua mãe, uma mulher amarga que não reconhece e nem apoia os esforços da filha. Porém, Lauren não se deixa abater pelas adversidades e segue lutando para melhorar de vida, sonhando com o dia em que finalmente irá para a faculdade.

“Lauren não tinha crescido num mundo de faz de conta. Ao contrário da maioria das amigas, passara a infância assistindo a programas de televisão que mostravam tiroteios, prostitutas e mulheres em perigo. A vida real, como a mãe dizia.” (Página 114)

Com esse mote incrível, comecei a leitura de As coisas que fazemos por amor, com a certeza de que Kristin Hannah me apresentaria mais uma maravilhosa história, e foi exatamente o que encontrei ao longo das 352 páginas.

Uma trama real, de sentimentos verdadeiros, com todos os altos e baixos comuns a todas as famílias.

“O amor pode nos ajudar a passar por dificuldades.

Por favor, Deus, pensou, que isso seja verdade.” (Página 187)

Esse livro é uma delícia, um acalento para o coração, uma preciosidade que nos mostra valores familiares importantes e que as coisas que somos capazes de fazer por amor nos levam a patamares inimagináveis.

Com um final sensível e surpreendente, a história de Angie e Lauren nos ensina muito sobre amor e que devemos manter a esperança apesar das dificuldades. Lindo, inesquecível e tocante!

Parece que o livro ganhará uma adaptação para o cinema, e a atriz Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine) esta cotada para o papel de Lauren Ribido. Espero ansiosamente por essa produção e estou super curiosa para saber quem será a interprete de Angie e os demais membros do elenco. Ficarei na torcida para que o filme seja tão lindo e emocionante quanto a história apresentada por Kristin Hannah. Vamos aguardar!

02 jan, 2018

Being Erica

 


Título Original: Being Erica

Título no Brasil: A vida de Erica

Criador: Jana Sinyor

Gênero: Comédia/Drama

Ano de Lançamento: 2009

Sinopse: No colegial, Erica pensou que iria crescer, conhecer “O” cara, ter “a” carreira, ter um casal de filhos lindos. Mas, de alguma forma, isso nunca aconteceu. Agora ela tem a chance de uma vida. Após uma série de percalços, ela se encontra no hospital, onde conhece o misterioso Dr. Tom – um terapeuta que parece saber muito sobre ela.

Conheci essa série com o nome “A vida de Erica” durante uma madrugada insone zapeando os canais de TV. E que fofura de série, adorei! Achei uma graça a Érica tentando acertar as contas com seu passado e as consequências de tudo isso. Seus amigos, seus amores, sua luta para entrar no competitivo mercado de trabalho. Coisas aparentemente banais, que na vida de Erica não são tão simples assim.

Tudo começa quando Erica, uma jovem de trinta e poucos anos,  encontra o enigmático Dr. Tom, que a propõe uma sessão de terapia nada convencional: voltar no tempo para consertar os erros do passado.

“Uma vida não questionada não merece ser vivida.” (Platão) 

Em princípio, parece um método maluco, mas com o passar dos episódios, nós descobrimos que o que acontece na verdade são mudanças na atitude de Erica com relação a passos mal dados na vida, tipo, uma segunda chance para os arrependimentos, sabe?

“Aprender é descobrir o que você já sabe.” (Richard Bach)

Com frases de efeito de grandes pensadores, Dr. Tom sempre tem a receita certa para resolver os problemas de sua paciente.

É muito divertido acompanhar Erica tentando mudar algo que deu errado em sua vida ou apenas reafirmando atitudes tomadas na juventude.

Entretanto, suas viagens ao passado, ás vezes afetam seu futuro, e Erica precisará encontrar uma maneira de lidar com essa nova situação.

Being Erica é uma serie sobre arrependimentos, amizade, família e amor que nos mostra como as atitudes que tomamos, refletem diretamente em nosso futuro. Pois, seja de forma positiva ou negativa, cabe a cada um de nós escolher que rumo seguir.

“Aquele que controla o presente, controla o passado. Aquele que controla o passado, controla o futuro.” (George Orwell)

Se você pudesse voltar e fazer tudo diferente, você continuaria sendo você?