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31 jul, 2018

Anne with an E

Título Original: Anne

Título no Brasil: Anne with an E

Criador: Moira Walley-Beckett

Gênero: Drama

Ano de Lançamento: 2017

Sinopse: Depois de treze anos sofrendo no sistema de assistência social, a orfã Anne é mandada para morar com uma solteirona e seu irmão. Munida de sua imaginação e de seu intelecto, a pequena Anne vai transformar a vida de sua família adotiva e da cidade que lhe abrigou, lutando pela sua aceitação e pelo seu lugar no mundo.

Passada no século XIX, a série narra a saga da órfã  Anne Shirley, que é levada por engano pelo casal de irmãos solteirões Matthew e Marilla Cuthbert , que inicialmente pretendiam adotar um menino para ajuda-los a cuidar de sua propriedade. Mesmo estando dispostos a adotar uma criança, os dois foram pegos totalmente de surpresa com a chegada da tagarela menina a Green Gables.

“- Matthew Cuthbert, quem é essa?  Onde esta o menino?”

Anne é uma criança otimista e cheia de esperança, e vê nos irmãos Cuthbert a chance de finalmente pertencer a uma família, tendo em vista que já passou por maus bocados nos lares adotivos por onde esteve, recorrendo muitas vezes aos livros como forma de fugir de sua dura realidade.

“Querida Rainha da Neve, eu aceito a sua oferenda. Tivesse eu um livro, colocaria essas flores sagradas entre as páginas para me lembrar para sempre deste momento tão precioso.

No entanto, eu Princesa Cordélia, estimarei este presente para sempre.”

Em meio ao preconceito e com um leve toque de feminismo, que percebemos ser a frente de sua época, Anne usa seu amor pela poesia e suas inúmeras qualidades para sobreviver em sua nova realidade e mostrar seu valor.

Ela é o tipo de pessoa que acredita no próximo e mesmo com tudo o que já passou, Anne sempre tem algo de belo a dizer. Com colocações um tanto dramáticas e por vezes até impertinentes, a ruivinha enxerga o mundo com olhos otimistas e sonhadores, e um dos grandes méritos da trama esta justamente em abordar a realidade pelo olhar lúdico da protagonista.

 

 

Porém, ao mesmo tempo em que somos apresentados a beleza da série e suas paisagens deslumbrantes, também assistimos a cenas muito cruéis, quando  Anne se depara com colegas de sala de aula extremamente preconceituosos e perversos.

Anne não entende o que pode haver de errado com ela, já que é uma criança perfeitamente normal, e por esse motivo, a menina luta bravamente para provar que merece estar na nova cidade, tenta conquistar a todos e fazer novos amigos com sua perspicácia e inteligência poética. Enquanto nós aqui do outro lado da tela, ficamos apenas torcendo para que tudo de certo com ela.

Em meio a todo o turbilhão de novidades, acompanhamos ainda o começo do que promete ser o romance mais fofo do mundo, entre nossa tagarela protagonista e seu colega de sala, Gilbert Blythe.

A relação dos dois começa um pouco conturbada, uma vez que ambos são alunos competitivos e buscam sempre superar um ao outro nas atividades escolares.

Porém, fora a concorrência em sala de aula, Gilbert enxerga em Anne muito além de seus cabelos vermelhos e suas sardas. Ele é um dos poucos que a trata de igual para igual, sem depreciá-la ou desmerecer seus talentos. Pelo contrário, ele é grato por conhecer alguém tão sagaz quanto ele em muitos aspectos. É uma lindeza de amizade, minha gente!

Baseada na obra Anne de Green Gables, da autora Lucy Maud Montgomery, o livro é considerado um dos maiores clássicos da literatura canadense. Foi publicado em 1908 e chegou ao Brasil por volta de 1939 pela Companhia Editora Nacional. A emocionante história de Anne teve tanto sucesso que inicialmente tornou-se uma saga de seis livros, e atualmente divididos em uma trilogia, foi publicado no Brasil pela editora Pedra Azul.

Curiosamente, a série exibida hoje pela Netflix não é a primeira adaptação do livro, talvez seja a mais famosa sem dúvida, mas existiram outras, como no ano de 1919 quando foi adaptado para um filme mudo, e em 1985, quando virou uma minissérie também muito popular.

Com um total de 17 incríveis episódios, Anne with an E, conta no momento com duas temporadas de puro encanto e doçura.

Sábia e poética, Anne Shirley nos ensina a sonhar, nos leva para seu mundo de fantasia e nos mostra como conseguiu superar as adversidades e transformar sua trajetória, com a ajuda de sua vasta imaginação e de seus amados livros. Série recomendadíssima, assistam!

06 fev, 2018

Chesapeake Shores

Título Original: Chesapeake Shores

Título no Brasil: Chesapeake Shores

Criador: John Tinker

Gênero: Drama/Romance/Familia

Ano de Lançamento: 2016

Sinopse: Abby O’Brien (Meghan Ory) volta para sua cidade natal de Chesapeake Shores, em Maryland, para ajudar sua irmã Jess (Laci J. Mailey) com a pousada Eagle Point. No entanto, além dos negócios não irem bem, o retorno da jovem ao local é marcado por reencontros marcantes e fantasmas do passado.

Ambientado na fictícia cidade de Chesapeake Shores, a série produzida pelo Hallmark Channel, conta a história da família O’Brien.

A trama começa com a primogênita da família, Abby (Megan Ory), voltando para casa depois de um conturbado divórcio. Mas, Chesapeake Shores abriga muito mais histórias dessa grande família. Histórias essas, que vem a tona com o retorno de Abby.

Conheceremos Jess (Laci J.Mailey), a linda irmã caçula que gerencia uma pequena pousada na cidade visando transforma-la em um lugar mais aconchegante para seus futuros hóspedes.

Temos também a bela Bree O’Brien (Emilie Ullerup), uma escritora que passa por um bloqueio criativo e acredita que voltando para casa conseguirá a inspiração que precisa para concluir seu livro.

Os membros masculinos da família também contam suas histórias, como o belíssimo Kevin (Brendan Penny), filho mais velho dos O’Brien, é médico do exército dos Estados Unidos e voltou para casa durante as festas de fim de ano.

O último dos filhos que irei citar é Connor, o caçula dos homens da família é estudante de Direito e esta tentando aprovação no exame da ordem.

Essa maravilhosa prole, tem um pai, Mick O’Brien (Trate Williams), que precisou trabalhar duro para cria-los sozinho, depois que sua esposa Megan (Barbara Niven), o deixou.

Por fim, essa linda família tem a melhor avó que poderia existir, Nell O’Brien, mãe de Mick, ficou responsável pelas crianças depois do sumiço de Megan e cuidava de todos com o maior zelo enquanto o filho trabalhava.

Com belíssima fotografia e histórias cotidianas encantadoras, o clã O’Brien nos mostra diferentes modos de ver e viver a vida, pelo olhar peculiar de cada um de seus membros.

Sou apaixonada por romances ambientados em cidades pequenas e aconchegantes, acredito que esse tipo de história nos aproxima dos personagens de alguma forma.

A série esta disponível no atual catálogo da Netflix e conta até o momento com duas temporadas de dez episódios cada. Se você gostou da resenha e assim como eu, também é fã de histórias com enredos familiares em lugares pitorescos, não perca tempo, assista agora Chesapeake Shores!

 

26 set, 2017

Nossas Noites, de Kent Haruf

Autor: Kent Haruf

Título Original: Our Souls at Night

Editora: Companhia das Letras

Número de Páginas: 160

Avaliação: 5/5 

Onde comprar:

Sinopse: No pequeno condado de Holt, no Colorado, Addie Moore faz uma visita inesperada a Louis Waters, seu vizinho. Embora não sejam amigos, moram na mesma rua há décadas e sabem um bocado sobre a vida um do outro. O marido de Addie morreu anos atrás, assim como Diane, esposa de Louis. Viúvos e septuagenários, os dois lidam diariamente com noites muito solitárias em suas casas grandes e vazias. Addie, então, propõe a Louis que ele passe a fazer companhia a ela ao cair da noite para ter a alguém com quem conversar antes de dormir. Mesmo surpreso com a iniciativa, Louis aceita o convite e não demora a estabelecer uma nova rotina: assim que escurece, vai à casa da vizinha, tira e dobra suas roupas e veste o pijama. Eles escovam os dentes, deitam-se e conversam até adormecer.

À medida que floresce a amizade entre os dois, as noites começam a parecer menos sombrias. O diálogo se desenrola de forma natural, e eles compartilham histórias, experiências, medos e frustrações. No verão, a casa de Addie fica mais cheia com a chegada do neto, Jamie, cuja presença traz novas oportunidades para que os viúvos possam se aproximar.

Apesar de Addie e Louis se entenderem perfeitamente bem, os vizinhos estranham a movimentação do casal, e não demoram a surgir boatos maldosos pela cidade. Aos poucos, os dois percebem que manter essa relação peculiar talvez não seja tão simples quanto imaginavam.

Publicado pela Companhia das Letras, o livro conta a linda história de Addie e Louis, um casal de viúvos septuagenários, que se vendo sozinhos em suas casas, resolve se encontrar todas as noites no intuito de conversar para aliviar a solidão de suas vidas.

“Não, sexo não. Não é essa a minha ideia.  Acho que perdi todo e qualquer impulso sexual já faz muito tempo. Estou falando de ter uma companhia para atravessar a noite, para esquentar a cama. De nós nos deitarmos na cama juntos e você ficar para passar a noite. As noites são a pior parte. Você não acha?” (Página 9) 

Com uma premissa super fofa e diálogos inteligentes, Nossas Noites é um livro absurdamente lindo e raro, destinado àqueles que apreciam uma boa história de amor.

“A senhora achou tudo, Sra. Joyce? Tudo o que a senhora queria?

Eu não achei um bom homem. Não vi nenhum nas prateleiras. Não, eu não consegui  encontrar nenhum bom homem no seu mercado.

Não? Sabe, às vezes eles estão mais perto do que a gente imagina, ás vezes, pertinho da casa da gente. Ela olhou de relance para Addie, que estava parado ao lado da velha senhora.” (Página 34)

Ao abordar o amor na maturidade, com diálogos tão ricos e carregados de ternura, o autor enche nossos corações de esperança em 160 páginas de puro encanto.

“Eu falei para você. A ideia veio da solidão. Da vontade de conversar durante a noite.

Foi uma coisa corajosa. Você estava correndo um risco. 

Sim, mas, se não funcionasse, eu não ia ficar pior . A não ser pela humilhação de ter sido rejeitada.” (Página 128)

Finalizei a leitura completamente apaixonada. O último romance de Kent Haruf foi escrito com tamanha sensibilidade e delicadeza, que me faltam palavras para descrever a beleza desse enredo. Simples, verdadeiro e lindo. Uma preciosidade! Leiam!

“Quem imaginaria que a essa altura da vida, nós ainda poderíamos ter algo desse tipo? Que afinal ainda existe, sim, espaço para mudanças e entusiasmos na nossa vida. E que nós ainda não estamos acabados nem física nem espiritualmente.” (Página 129)

O livro será adaptado e promete virar uma produção da Netflix em 29 de setembro. Com Jane Fonda e Robert Redford nos papéis principais, o filme certamente será um sucesso.

 

 

 

22 ago, 2017

O mínimo para viver


Título Original: To the bone

Título no Brasil: O mínimo para viver

Direção: Marti Noxon

Gênero: Drama

Ano de Lançamento: 2017

 

Sinopse: Uma jovem de 20 anos sofrendo de anorexia embarca em uma emocionante jornada de autodescoberta em um grupo liberado por um médico pouco convencional.

Recentemente adicionado ao catálogo do Netflix, O mínimo para viver conta a história de Ellen, uma garota que sofre de um severo distúrbio alimentar.

Ellen, que já passou por quatro internações, esta sob os cuidados de um novo médico que possui um método diferenciado de tratamento.

Lilly Collins esta assustadoramente perfeita no papel principal, e Keanu Reeves dispensa apresentações, apesar de sua tímida interpretação como um médico pouco convencional, ele tem falas brilhantes e questionamentos pontuais, que levam o espectador a pensar na situação de sua paciente.

O Dr.Beckham chega a ser arrogante em sua abordagem, porém, mostra-se bastante eficiente com seus métodos pouco ortodoxos.

“[…]eu não vou te tratar se você não quiser continuar viva.”

O filme mostra sem alarde ou apologia, a vida como ela é. Como verdadeiramente fica uma pessoa acometida por um distúrbio alimentar severo.

Entendo o perigo que um filme que aborda esse tema pode conter,  pois ao pesar na mão, corre-se o sério risco de que haja incentivo ou enaltecimento a doença. O que felizmente não aconteceu.

O que percebemos nesse filme foi uma abordagem clara, cuidadosa e responsável. Assim como todos os efeitos colaterais da doença, nada foi glamourizado, muito menos incentivado.

Outro ponto que achei bastante interessante, foi a inserção de personagens anoréxicos que estão acima do peso, pois ao contrário do que se pensa, não é apenas o esquelético e fisicamente fragilizado que precisa de ajuda quando se trata de um distúrbio alimentar, tendo em vista que trata-se de um transtorno psicológico grave que mata boa parte dos indivíduos. E que ninguém em sã consciência escolhe ficar assim, essas pessoas estão verdadeiramente doentes, precisando de tratamento, e anorexia não é uma escolha.

A meu ver o filme possui algumas falhas, especialmente nas cenas entre mãe e filha. Certas abordagens foram exageradas e até desnecessárias. Mas, entendo a intenção da diretora Marti Noxon, que optou por contar uma história da maneira mais sensível e sincera possível, mostrando a complexidade do problema e quão difícil e delicado é abordá-lo.

Gostei, recomendo! É um bom filme para quem aprecia explorar a obscuridade da mente humana e para aqueles que estão em busca de um filme sincero sobre o tema.

 

04 jul, 2017

Kurt Seyit ve Sura

Título Original: Kurt Seyit ve Sura

Título no Brasil: Kurt Seyit ve Sura

Criadora: Nermin Beznem

Gênero: Drama, Romance

Ano de Lançamento: 2014

 

Sinopse: Kurt Seyit é um tenente mulherengo bonito, filho mais velho de um rico proprietário de terras da Criméia Turca. Seyit participa de um baile em São Petersburgo e faz uma aposta com seus amigos: Beijará a primeira menina que entrar na sala. Sura é a filha caçula de uma família nobre russa e vêm antes da alta sociedade no baile. Quando Sura entra no salão de baile, eles se apaixonam à primeira vista e logo começam um caso cheio de obstáculos. O pai de Seyit , Mirza Eminof, quer que o seu filho case com uma mulher turca muçulmana para garantir a prole. Por outro lado , a família de Sura quer que ela se case com homem rico e nobre da Rússia.
O amor de ambos é testado pela guerra, mas também comprometido devido às intrigas de Petro Borinsky e Baronesa Lola.

Hoje eu venho indicar para vocês, um romance muito bonito chamado Kurt Seyit ve Sura. Baseada em fatos reais, essa belíssima série de origem turca, irá narrar a história de amor entre o elegante oficial turco Kurt Seyit, e a bela russa Sura. Que se vêem perdidamente apaixonados desde que se encontram pela primeira vez em um baile em São Petersburgo.

Sura, batizada Alexandra Verjenskaya, é uma jovem tímida e recatada, que logo em seu primeiro grande evento social, é arrebatada pelos belos olhos do tenente Kurt Seyit Eminof. Igualmente encantado pela bela jovem, Seyit fará de tudo para conquistá-la.

 

Com um cenário histórico pautado na 1° guerra mundial e nas tensões políticas da época, a trama é repleta de ação e cenas de tirar o fôlego, e também conta com vilões dignos dos melhores folhetins. Petro Borinsky e a Baronesa Lola, serão obstáculos quase intransponíveis, que testarão ao máximo os limites do casal apaixonado.

A série foi baseada nos livros da autora Nermin Bezmen, neta de Kurt Seyit, e a editora Pedra Azul promete publicá-los em breve aqui no Brasil. Tomara!

Facilmente encontrada no atual catálogo do Netflix, a história de amor de Seyit e Sura é de uma pureza sem igual. Com uma trama cativante e cenas belíssimas, essa série é perfeita para quem gosta de enredos com contexto histórico. Se você é um romântico que adora histórias carregadas de ação, drama e muito amor, essa série é mais do que recomendada!