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5
dez 2017

ARQUIVADO EM: Literatura

Autora: Gaby Brandalise

Editora: Verus

Número de Páginas: 208

Avaliação: 5/5

Sinopse: O que você faria se precisasse escapar da sua própria vida? Uma história inspirada em dramas coreanos.  

Marina vive em Curitiba, atormentada pelas agressões do ex-namorado. So vive em Seul, preso a uma culpa da qual não consegue se livrar. Em mundos tão distantes, mas carregando dores parecidas, a história dos dois vai se cruzar e fazer com que eles finalmente tomem o controle da própria vida, encontrando o ponto de virada que sempre buscaram. Pule, Kim Joo So é uma história ágil e original, que vai surpreender e divertir da primeira à última linha.

Sou louca por dramas coreanos, e foi assim que conheci a Gaby Brandalise, quando em seu canal no YouTube, ela falava da intensidade dos beijos naqueles dramas, bem como toda a dedicação dos atores asiáticos em busca da cena perfeita, os melhores ângulos, luzes e sombras.

Quando descobri que a Gaby estava escrevendo um livro que abordava esse universo que havia conquistado meu coração, surtei!

Pule, Kim Joo So é uma história inteligente, ágil e surpreendente que vai levar você para dentro dos dramas coreanos!

O livro conta a história de Kim Joo So, um coreano que esta em busca de autoconhecimento e Marina, uma brasileira que esta tentando se livrar de um ex namorado abusivo. Os dois se conhecerão de maneira inusitada e descobrirão que mesmo sendo de lugares tão diferentes, tem muito em comum.

“ Aproximou-se e paralisou diante da porta. Havia um homem asiático tentando se esconder, escorado na parede de azulejo, uma expressão de pânico estampada no rosto. Marina estreitou os olhos, curiosa, e abaixou o alicate de unha. Nunca tinha visto um homem como aquele.” (Página 13)

Durante a leitura, me vi totalmente inserida naquela trama, foi um misto de emoções, parecia que eu estava em Seul e de repente no Brasil! Foi como se  Healer,  W,  Kill Me, Heal Me, e todos os dramas coreanos que conheço se interligassem a história do So.

O sofrimento do protagonista em alguns momentos chega a ser palpável (tadinho!), sua angústia e seus medos contrastam com o cara forte e seguro que defende Marina e a protege sempre que julga necessário. É lindo de ver!

“- Ele não vai encostar em você de novo.

– Você não pode garantir isso, mas obrigada mesmo assim. – Sorri, cheia de afeto.” (Página 67)

Gaby foi simplesmente genial ao colocar trechos de seus dramas favoritos em cada começo de capítulo, fazendo toda uma conexão com o que vem pela frente, deixando a história ainda mais interessante.

“ – Você não está com medo de mim?

– É que eu ainda não sei bem quem é você.” (Kill Me, Heal Me – Página 185)

Sem contar o trabalho primoroso da Verus Editora e sua diagramação impecável, que conjuntamente a belíssima capa criada pela linda Marina Ávila, deixou tudo perfeito!

E agora estou aqui, completamente apaixonada pela história de amor do So e da Marina, por todo o conteúdo incrível sobre cultura coreana que a autora conseguiu introduzir lindamente na trama, por toda a agilidade e sobretudo pela originalidade.

Gaby Brandalise, como boa fã de dramas coreanos, colocou todos os elementos que fazem um drama ser perfeito, tem ação, romance e mistério, tudo isso aliado a uma pegada brasileira maravilhosa, que fez com que a história ficasse na medida certa tanto para os apaixonados por dramas, como para aqueles que estão conhecendo agora.

Por isso é um livro mais do que recomendado, leiam e se deixem transportar para o mundo dos dramas coreanos, vocês não serão mais os mesmos depois dessa leitura!

 

 

 

 

 

 

 



31
out 2017

ARQUIVADO EM: Literatura

 

Autor: Gillian Flynn

Título Original: Sharp Objects

Editora: Rocco

Número de Páginas: 300

Avaliação: 5/5

 

Sinopse: A vida da solitária Camille Preaker em Chicago resume-se a escrever matérias para a editora de polícia do jornal Daily Post, beber vodca além da conta e torturar-se pelo passado que deixou para trás na pequena Wind Gap, sua cidade natal. É para lá que seu editor a envia em busca de um furo de reportagem. Naquela comunidade ao sul do Missouri, um serial killer faz de crianças suas vítimas.

Camille Preaker é uma repórter investigativa que se vê sem alternativas ao ser enviada de volta a sua cidade natal por seu chefe em busca de um furo de reportagem. Presa ao passado e aos traumas de infância, ela precisa ter coragem para enfrentar seus medos.

“Eu me corto, sabe? Também retalho, fatio, gravo, espeto…Sou um caso bem especial. Tenho uma razão. A minha pele, sabe, ela grita. É repleta de palavras – cozinhar, bolinho, bichano, cachos – como se uma criança de primeira série manuseando uma faca tivesse aprendido a escrever em minha carna.” (Página 75)

Lembranças de uma adolescência conturbada vem à tona, fazendo com que Camille descubra aos poucos o que a levou a se automutilar durante a vida, ao mesmo tempo em que investiga as misteriosas mortes das adolescentes em Wind Gap.

“Wind Gap é assim. Todos conhecemos os segredos uns dos outros, e todos os usamos.

– Que beleza de lugar… ” (Página 91)

No entanto, nada, absolutamente nada nos prepara para as páginas finais desse tenebroso enredo e seu desfecho sensacional.

Na própria carne é uma história de amor e dor, amor colérico, amor doentio, daqueles que fere, machuca e até mata se preciso for.

“Não me importaria em revelar as histórias de Wind Gap a Richard. Não sentia qualquer fidelidade especial para com a cidade. Foi aqui que minha irmã morreu. foi o lugar onde comecei a me cortar. Uma cidade tão sufocante e pequena que todos os dias você esbarra com alguém que detesta. Gente que sabe coisas a seu respeito. É o tipo de lugar que deixa marcas.” (Página 93)

Com personagens intrigantes e surpreendentes, a autora está de parabéns por presentear seus leitores com essa obra incrível.

“Ás vezes, se você deixa uma pessoa fazer uma coisa com você, na verdade é você que esta fazendo com a pessoa.” (Página 298)

Relançado em 2015 com o título de Objetos Cortantes, este é o romance de estreia da magnífica Gillian Flynn.



26
set 2017

ARQUIVADO EM: Literatura

Autor: Kent Haruf

Título Original: Our Souls at Night

Editora: Companhia das Letras

Número de Páginas: 160

Avaliação: 5/5 

Onde comprar:

Sinopse: No pequeno condado de Holt, no Colorado, Addie Moore faz uma visita inesperada a Louis Waters, seu vizinho. Embora não sejam amigos, moram na mesma rua há décadas e sabem um bocado sobre a vida um do outro. O marido de Addie morreu anos atrás, assim como Diane, esposa de Louis. Viúvos e septuagenários, os dois lidam diariamente com noites muito solitárias em suas casas grandes e vazias. Addie, então, propõe a Louis que ele passe a fazer companhia a ela ao cair da noite para ter a alguém com quem conversar antes de dormir. Mesmo surpreso com a iniciativa, Louis aceita o convite e não demora a estabelecer uma nova rotina: assim que escurece, vai à casa da vizinha, tira e dobra suas roupas e veste o pijama. Eles escovam os dentes, deitam-se e conversam até adormecer.

À medida que floresce a amizade entre os dois, as noites começam a parecer menos sombrias. O diálogo se desenrola de forma natural, e eles compartilham histórias, experiências, medos e frustrações. No verão, a casa de Addie fica mais cheia com a chegada do neto, Jamie, cuja presença traz novas oportunidades para que os viúvos possam se aproximar.

Apesar de Addie e Louis se entenderem perfeitamente bem, os vizinhos estranham a movimentação do casal, e não demoram a surgir boatos maldosos pela cidade. Aos poucos, os dois percebem que manter essa relação peculiar talvez não seja tão simples quanto imaginavam.

Publicado pela Companhia das Letras, o livro conta a linda história de Addie e Louis, um casal de viúvos septuagenários, que se vendo sozinhos em suas casas, resolve se encontrar todas as noites no intuito de conversar para aliviar a solidão de suas vidas.

“Não, sexo não. Não é essa a minha ideia.  Acho que perdi todo e qualquer impulso sexual já faz muito tempo. Estou falando de ter uma companhia para atravessar a noite, para esquentar a cama. De nós nos deitarmos na cama juntos e você ficar para passar a noite. As noites são a pior parte. Você não acha?” (Página 9) 

Com uma premissa super fofa e diálogos inteligentes, Nossas Noites é um livro absurdamente lindo e raro, destinado àqueles que apreciam uma boa história de amor.

“A senhora achou tudo, Sra. Joyce? Tudo o que a senhora queria?

Eu não achei um bom homem. Não vi nenhum nas prateleiras. Não, eu não consegui  encontrar nenhum bom homem no seu mercado.

Não? Sabe, às vezes eles estão mais perto do que a gente imagina, ás vezes, pertinho da casa da gente. Ela olhou de relance para Addie, que estava parado ao lado da velha senhora.” (Página 34)

Ao abordar o amor na maturidade, com diálogos tão ricos e carregados de ternura, o autor enche nossos corações de esperança em 160 páginas de puro encanto.

“Eu falei para você. A ideia veio da solidão. Da vontade de conversar durante a noite.

Foi uma coisa corajosa. Você estava correndo um risco. 

Sim, mas, se não funcionasse, eu não ia ficar pior . A não ser pela humilhação de ter sido rejeitada.” (Página 128)

Finalizei a leitura completamente apaixonada. O último romance de Kent Haruf foi escrito com tamanha sensibilidade e delicadeza, que me faltam palavras para descrever a beleza desse enredo. Simples, verdadeiro e lindo. Uma preciosidade! Leiam!

“Quem imaginaria que a essa altura da vida, nós ainda poderíamos ter algo desse tipo? Que afinal ainda existe, sim, espaço para mudanças e entusiasmos na nossa vida. E que nós ainda não estamos acabados nem física nem espiritualmente.” (Página 129)

O livro será adaptado e promete virar uma produção da Netflix em 29 de setembro. Com Jane Fonda e Robert Redford nos papéis principais, o filme certamente será um sucesso.

 

 

 



12
set 2017

ARQUIVADO EM: Literatura


Autora: Mary E. Pearson

Título Original: The Kiss of Deception – The Remnant Chronicles

Editora: Darkside Books

Número de Páginas: 409

Avaliação: 5/5

Sinopse: Plante ilusões e você colherá do mundo grandes decepções.

 

A força feminina é a grande estrela neste romance de Mary E. Pearson. Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas – menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro? O primeiro volume das “Crônicas de Amor e Ódio” evoca culturas do nosso mundo e as transpõe para a história de forma magnífica. Através de uma escrita apaixonante e uma convincente narrativa, o romance de Pearson é capaz de mudar a nossa concepção entre o bem e o mal e nos fazer repensar todos os estereótipos aos quais estamos condicionados. É um livro sobre a importância da autodescoberta, do amor e como ele pode nos enganar, e de uma protagonista em busca de sua liberdade e felicidade a qualquer custo.

Quando vi a capa maravilhosa desse livro lançado pela Darkside Books, fiquei super curiosa para conhecer a história. E lendo a sinopse, não tive dúvidas de que Mary E. Pearson havia escrito um enredo fascinante.

O livro narra a história de Arabella Celestine Idris Jezelia, ou simplesmente Lia, como prefere ser chamada. Lia, não aceita o destino que lhe foi imposto, casar com um príncipe escolhido por seu pai, e por essa razão, decide fugir do reino.

“Ninguém deveria ser forçada a casar – se com alguém que não ama.” (Página 34)

A partir daí, a vida da princesa se transformará por completo. Ela e sua fiel amiga Pauline chegam ao pequeno vilarejo de Terravin e lá começam a trabalhar na estalagem local como garçonetes.

Entretanto, o que Lia não sabe, é que seu pretendente, o príncipe, parte inconformado em busca de seu paradeiro, procurando respostas para sua rejeição em aceitar o enlace proposto pelo rei.

“Porque, sempre, desde o primeiro dia em que a vi, tenho ido dormir pensando em você e, todas as manhãs, quando acordo, meus primeiros pensamentos são sobre você” (Página 197)

Mas, não é só o príncipe que esta no encalço da princesa, um inescrupuloso assassino também esta a sua procura e esse fato é um dos motivos que me fez querer devorar esse livro.

Tudo porque a autora optou por não revelar a identidade dos perseguidores de Arabela, dando um ar de mistério a trama e fazendo com que a experiência de leitura se tornasse ainda mais interessante.

Finalizado o livro, o que tenho a dizer sobre a história da princesa é: Leiam! Vocês serão apresentados a uma personagem diferente das mocinhas de livros de fantasia habituais.

Porque Lia é forte, poderosa, maravilhosa e destemida, e mesmo que no fim das contas a identidade de seu algoz não tenha sido tão surpreendente quanto pensei que seria, as aventuras e perigos contidos na trama, aliada a narrativa perfeita, fazem esse livro ser ainda mais especial.

 

 

 

 



25
jul 2017

ARQUIVADO EM: Literatura

Autora: Kimberly Brubaker Bradley

Título Original: The War That Saved My Life

Editora: Darkside Books

Número de Páginas:  240

Avaliação: 5/5 ♥ 

Onde Comprar: 

Sinopse: Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando. Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor.

O livro narra a história da pequena Ada, uma menina de apenas 10 anos de idade, que vê a vida passar através da janela de sua casa. Ela nasceu com um pé torto, que por negligência de sua mãe não foi devidamente tratado.

Ada é uma menina inocente, que desde que se entende por gente cuida do irmão mais novo, Jamie. Mal tratada pela mãe (Uma mulher odiosa!), Ada acredita que tudo mudará no dia em que ela aprender a andar normalmente, já que em seu estado atual, o máximo que a menina faz no intuito de se movimentar rapidamente pelos cômodos da casa onde vive, é rastejar. Gente, que dor no coração foi ler essas primeiras páginas e a vida sofrida dessa menininha!

Porém, com a iminência da guerra, a menina e seu irmão são obrigados a se mudar e foi a partir daí que Ada foi salva, e que sua vida mudou completamente, por causa da guerra.

“Foi isso o que aconteceu, embora não como pensei que seria. No fim das contas, foi a combinação das duas guerras – o fim da minha pequena guerra contra o Jamie e o início da grande guerra, a do Hitler – que me libertou.” (Página 13)

Com um enredo diferenciado e singular, Kimberly Brubaker Bradley definitivamente conquistou meu coração. Sempre gostei de histórias que abordavam guerras, especialmente quando são narradas pelo ponto de vista de uma criança. Mas, diferente do que acontece em O Diário de Anne Frank, por exemplo, temos um mundo além da guerra, temos duas crianças aprendendo tudo sobre o universo a sua volta, descobrindo novos sabores, novas emoções, aprendendo a se portar diante de uma nova e melhorada vida.

É um livro dolorosamente lindo e cheio de ternura, apesar de todo o horror causado por Hittler.

Sei que trata-se de uma obra de ficção, e que apesar de retratar tão bem os massacres da guerra, Ada, Jamie e a Srta. Smith não existem, são apenas obra da imaginação fantástica da autora. Porém, foi uma história tão bem feita, tão bem construída e tão rica em detalhes, que é praticamente impossível não se sentir dentro da vida daquelas pessoas. Sabendo disso, cuidei de ler seus capítulos com parcimônia, a fim de construir com os personagens uma relação de afeto real, do qual eu não queria desapegar tão cedo.

A Guerra que Salvou a Minha Vida, deixou marcas profundas em meu coração, é o tipo de livro que lembrarei para sempre, ele me deixou com um nó na garganta, ao mesmo tempo em que apresentou cenas de tanto carinho e ternura que aqueceram minha alma.

Concluo esta resenha completamente apaixonada por tudo o que li, pela autora e pelos personagens. Obrigada Kimberly Brubaker Bradley, por me apresentar uma história tão rara, com a sensibilidade e pureza de uma criança.

“Dei a mão a ela. Um novo e desconhecido sentimento me preencheu. Parecia o mar, a luz do sol, os cavalos. Parecia amor. Vasculhei minhas ideias e encontrei o nome. Felicidade.” (Página 234)

 



27
jun 2017

ARQUIVADO EM: Literatura

Autora: Nicola Yoon

Título Original: Everything, Everything

Editora: Arqueiro

Número de Páginas: 280

Avaliação: 4/5

Onde Comprar: Amazon | Americanas | Saraiva | Submarino

Sinopse: Tudo envolve riscos. Não fazer nada também é arriscado. A decisão é sua. A doença que eu tenho é rara e famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Não saio de casa. Não saí uma vez sequer em 17 anos. As únicas pessoas que eu vejo são minha mãe e minha enfermeira, Carla. Então, um dia, um caminhão de mudança para na frente da casa ao lado. Eu olho pela janela e o vejo. Ele é alto, magro e está todo de preto: blusa, calça jeans, tênis e um gorro que cobre o cabelo. Ele percebe que eu estou olhando e me encara. Seu nome é Olly. Talvez não seja possível prever tudo, mas algumas coisas, sim. Por exemplo, vou me apaixonar por Olly. Isso é certo. E é quase certo que isso vai provocar uma catástrofe.

O livro conta a história de Maddie, uma jovem que possui uma doença rara, um tipo de “alergia do mundo” que deixa seu organismo fragilizado e por essa razão, ela nunca saiu de casa. A moça, que já estava de certa forma conformada com as limitações de sua vida nesses 18 anos de reclusão, se vê confusa com a chegada de Olly, o novo vizinho, e a faz se questionar se a vida que ela conheceu até aquele momento, é suficiente.

“E então eu o vejo. Ele é alto, magro e está todo de preto: blusa, calça jeans, tênis e um gorro que cobre o cabelo. Sua pele é branca, mas levemente bronzeada, e suas feições são angulosas. Ele pula da traseira do caminhão e atravessa a rua. Dá a impressão de que a gravidade o afeta de um jeito diferente. Ele para, inclina a cabeça e olha para a casa nova como se estivesse diante de um quebra-cabeça.” (Página 26)

Em princípio, Maddie, que vive reclusa em sua casa na companhia apenas de sua mãe que também é sua médica, e da generosa enfermeira Carla, que a conhece desde criança. Fica curiosa a respeito daquele jovem tão livre que acaba de chegar. O mesmo acontece com ele, que se vê encantado pela misteriosa vizinha que o observa pela janela todos os dias.

“Pela primeira vez em muito tempo, desejo mais do que aquilo que tenho.” (Página 75)

O romance de Olly e Maddie se desenvolve de forma lenta e gradativa, bem agradável para quem lê, pois assim podemos acompanhar todo o desenrolar desse amor impossível.

“E é esse desejo que me puxa de volta à Terra com toda a força. O desejo me dá medo. É como uma erva daninha que se espalha devagar e mal percebemos. Quando nos damos conta, ela já cobriu as paredes e tapou as janelas. (Página 76)

A história é cativante e encantadora, e mesmo abordando um tema tão pesado quanto uma doença respiratória rara, não cansa nem entristece quem lê. Pelo contrário, a autora conduz com muita delicadeza as nuances dessa trama, fazendo com que o leitor descubra as limitações de Maddie e se deixe guiar por suas descobertas.

“- É sempre assim? – pergunto, ainda sem fôlego.

– Não – responde ele. – Nunca é assim.

Percebo o encantamento em sua voz.

E assim, do nada, tudo muda. (Página 118)

Olly é um fofo e foi de suma importância nessa transição, afinal, foi por causa dele e de seu amor, que Maddie começou a questionar sua vida, a perceber que não conhecia nada de fato e que os desafios de viver envolvem muito mais do que ela poderia imaginar.

“Antes de conhecê-lo, eu era feliz. Mas agora estou viva, e as duas coisas são bem diferentes.” (Página 160)

Porém, nem tudo foi perfeito nesse livro, um determinado fato no final me incomodou profundamente. Fato esse, que não mencionarei aqui para não correr o risco de dar spoiler. Mas, achei completamente fora de contexto e desnecessário, esperava uma solução melhor, tendo em vista a história tão linda e bem amarrada que Nicola Yoon escreveu. Enfim…

Com uma narrativa leve e fluida, Tudo e todas as coisas é um livro lindinho e cheio de clichês, mas super válido para aqueles que estão a procura de mais amor e doçura em suas vidas.

“A matemática de Olly diz que é impossível prever o futuro. Acontece que também é impossível prever o passado. O tempo flui nas duas direções – para frente e para trás -, e o que acontece aqui e agora altera tanto um quanto outro.” (Página 227)



18
abr 2017

ARQUIVADO EM: Literatura

 Autor: Willian P. Young

Título Original: The Shack

Editora: Arqueiro

Número de Páginas: 240

Avaliação: 5/5 ♥

 

Sinopse: Durante uma viagem de fim de semana, a filha mais nova de Mack Allen Phillips é raptada e evidências de que ela foi brutalmente assassinada são encontradas numa velha cabana.

Após quatro anos vivendo numa tristeza profunda causada pela culpa e pela saudade da menina, Mack recebe um estranho bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o a voltar à cabana onde aconteceu a tragédia.

Apesar de desconfiado, ele vai ao local numa tarde de inverno e adentra  passo a passo o cenário de seu mais terrível pesadelo. Mas o que ele encontra lá muda seu destino para sempre.

Em um mundo cruel e injusto, A Cabana levanta um questionamento atemporal: se Deus é tão poderoso, por que não faz nada para amenizar o nosso sofrimento?

As respostas que Mack encontra vão surpreender você e podem transformar sua vida de maneira tão profunda como aconteceu com ele. Você vai querer partilhar este livro com todas as pessoas que ama.

 

Com a proximidade da estreia do filme, resolvi reler esse livro que me emocionou de uma forma tão especial e relembrar essa história tão tocante.

Comecei essa releitura em um momento complicado em que eu estava descrente do ser humano e minha fé andava meio abalada.

Então, eu sentia que precisava encontrar alguma coisa em que acreditar novamente, foi aí que voltei à cabana e à vida de Mack e de sua filha mais nova.

A Cabana vai narrar a história de Mack Allen Phillips, um pai que teve sua filha caçula sequestrada e brutalmente assassinada numa velha cabana.

Quatro anos depois desse terrível acontecimento, Mack recebe um estranho bilhete, o convidando a voltar para cena do crime, e o bilhete endereçado a ele, tinha como remetente, Deus.

Incrédulo e pessimista, em decorrência dos últimos acontecimentos de sua vida, Mack, não leva a sério o referido bilhete.

“ Mackenzie

Já faz um tempo. Senti sua falta.

Estarei na cabana no fim de semana que vem, se você quiser me encontrar.

                                                   Papai” (Página 19)

Porém, mesmo sem acreditar no que estava lendo, Mack resolveu enfrentar seus piores pesadelos e voltar para o local que o remetia a maior tristeza de sua vida, mudando completamente suas concepções e crenças.

A Cabana, é um livro que deve ser lido como uma prece. É uma história sobre amor e perdão, que nos ensina a acreditar que nada nessa vida é em vão, e que nossas ações, mesmo que pareçam uma gota d’água no oceano, são de grande importância para Deus.

Sou suspeita para falar desse livro, pois amo demais essa história e acredito que todos deveriam conhecer e assim como eu, se deixar arrebatar pelas lindas palavras ali contidas. Leiam, apenas.

“Todas as vezes que você perdoa, o universo muda; cada vez que estende a mão e toca um coração ou uma vida, o mundo se transforma; a cada gentileza e serviço, visto ou não visto, meus propósitos são realizados e nada jamais será igual.” (Página 219)

 



21
mar 2017

ARQUIVADO EM: Literatura

Apegados.indd Autora: Sarah Jio

Título Original: The Violets of March

Editora: Novo Conceito

Número de Páginas: 304

Avaliação: 5/5

Onde Comprar:

 

Sinopse: Emily Taylor é uma mulher jovem e escritora de sucesso, mas não gosta muito de seu próprio livro. Também tem um casamento que parece ideal, no entanto ele acabará em divórcio. Sentindo que sua vida perdeu o propósito, Emily decide fazer as malas e passar um tempo em Bainbridge – a ilha onde morou quando menina – para tentar se reorganizar. Enquanto busca esquecer o ex-marido e, ao mesmo tempo, arrumar material para um novo – e mais verdadeiro – livro, um antigo colega de escola e o namorado proibido da adolescência tornam-se seus companheiros frequentes. Entretanto, o melhor parceiro de Emily será um diário da década de 1940, encontrado no fundo de uma gaveta. Com o diário em mãos, Emily sentirá o estranhamento e a comoção causados pela leitura de uma biografia misteriosa que envolve antigos habitantes da ilha e que tem muito a ver com sua própria história. Assim como as violetas que desabrocham fora de estação para mostrar que tudo é possível, a vida de Emily Taylor poderá tomar um rumo improvável e cheio de possibilidades. As Violetas de Março é um romance sobre a força do amor, sobre as peças que o destino prega e sobre como podemos ser felizes mesmo quando tudo parece conspirar contra a felicidade.

Com um trecho da delicada canção de Tom Jobim, As Águas de Março, a autora nos conduz à história de Emily, uma escritora renomada que após ter o coração partido pelo marido, resolve seguir rumo a Baindridge, uma pequena cidade localizada no estado de Washington, a pedido de sua tia Bee, buscando resgatar sua inspiração e um novo sentido para sua vida.

“Bee acredita que o estuário de Puget tinha imenso poder de cura. E eu sabia que, quando lá chegasse, ele me encorajaria a tirar os sapatos e a ir vadear, mesmo se fosse uma hora da manhã” (Página 24)

Chegando lá, Emily reencontra amores do passado e pessoas que fizeram parte de sua vida durante a infância. Contudo, o surgimento misterioso de um caderno de veludo vermelho em seu quarto, é o enigma que a intriga no momento, fazendo com que a célebre escritora comece uma minuciosa investigação sobre aqueles personagens da década de 1940, mesmo que as palavras contidas no velho diário não fizessem sentido algum para ela.

“Porque uma história de 1940, de alguém sobre quem eu nada sabia, teria qualquer relevância para minha vida? Como seria possível? Nada daquilo fazia sentido, mas em algum lugar em meu coração eu estava começando a sentir que talvez fizesse.” (Página 200)

Nessa empreitada, Emily descobrirá segredos do passado que mudarão completamente sua vida. Conhecerá a si mesma e entenderá que o verdadeiro amor esta traçado e que o destino é seu maior aliado.

“Deixo-lhe um pensamento, um pensamento sobre o amor que me levou a passar por muitos fracassos: o grande amor perdura ao tempo, à magoa e a distância. E mesmo quando tudo parece perdido, o verdadeiro amor vive. Sei disso agora, e espero que você também.” (Página 276)

Finalizo esta resenha completamente encantada com Sarah Jio, por nos apresentar sua primeira história de maneira tão comovente e arrebatadora. As Violetas de Março, é sem dúvida, um livro inesquecível, cativante e encantador.

Se você esta a procura de um romance em que o destino é quem dita as regras e almas gêmeas se reconhecem. Esse livro é para você!

 



7
mar 2017

ARQUIVADO EM: Literatura

Autor: Ranson Riggs

Título Original: Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children

Editora: Leya

Número de Páginas: 336

Avaliação: 4/5

Onde Comprar: 

Sinopse: Tudo está à espera para ser descoberto em “O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares”, um romance que tenta misturar ficção e fotografia. A história começa com uma tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo. E, de algum modo – por mais impossível que possa parecer – ainda podem estar vivas.

O livro vai contar a história de Jacob, um jovem que passou a vida inteira escutando histórias curiosas sobre a vida de seu avô, histórias que o deixaram absolutamente fascinado.

“Eu tinha acabado de aceitar que minha vida seria apenas comum quando coisas extraordinárias começaram a acontecer comigo. A primeira delas foi um choque terrível, dividiu minha vida em duas partes. Antes e depois.

Como muitas coisas extraordinárias que viriam, ela envolveu meu avô, Abraham Portman.” (Página 8) 

Misturando fotografias bizarras e lúdicas, fantasia e realidade, O Orfanato da Srta. Peregrine é um livro verdadeiramente peculiar, e embora não faça parte do meu tipo de leitura habitual, devo confessar que foi bastante interessante acompanhar Jacob nessa aventura surreal.

Entrar naqueles aposentos com ele, ao mesmo tempo em que foi assustador, despertou em mim uma curiosidade fora do comum. Afinal, eu também queria descobrir o que havia acontecido ali, quem eram aquelas crianças e quem era a Srta. Peregrine.

“Será que era isso que meu avô queria que eu encontrasse? É, só pode ser – não as cartas de Emerson, mas uma carta guardada dentro do livro de Emerson. Mas quem era essa diretora escolar, essa Alma Peregrine?” (Página 59)

A proposta do livro é bastante interessante, e mesmo achando os capítulos demasiadamente longos e cansativos, a narrativa é ótima e as ilustrações são belíssimas, até as imagens mais estranhas, tinham o seu valor.

“- Não quero ser rude, mas o que são essas pessoas? – Perguntei.

– Nós somos peculiares – respondeu, soando um pouco intrigado.

– Você não é?

– Não sei. Acho que não.

– É uma pena.” (Página137)

A ideia de mesclar fantasia e realidade, incluindo fotografias curiosas e macabras (que o autor afirma serem reais!), deram a história ainda mais credibilidade. 

Com um enredo original e um romance surpreendente, O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, é um livro tenso e cheio de mistério, que prende o leitor do início ao fim, o transportando para um mundo fantástico, fazendo com que ele não queira mais voltar para a realidade.

Finalizo afirmando que gostei do livro, não amei, mas, para aqueles que estão à procura de uma leitura misteriosa, com toques sobrenaturais e um visual sombrio, esse livro é perfeito!



21
fev 2017

ARQUIVADO EM: Literatura

 


Autora: Jennifer Niven

Título Original: Holding Up the Universe

Editora: Seguinte

Número de Páginas: 392

Avaliação: 5/5

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Sinopse: Jack tem prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer o rosto das pessoas. Quando ele olha para alguém, vê os olhos, o nariz, a boca… mas não consegue juntar todas as peças do quebra-cabeça para gravar na memória. Então ele usa marcas identificadoras, como o cabelo, a cor da pele, o jeito de andar e de se vestir, para tentar distinguir seus amigos e familiares. Mas ninguém sabe disso — até o dia em que ele encontra a Libby. Libby é nova na escola. Ela passou os últimos anos em casa, juntando os pedaços do seu coração depois da morte de sua mãe. A garota finalmente se sente pronta para voltar à vida normal, mas logo nos primeiros dias de aula é alvo de uma brincadeira cruel por causa de seu peso e vai parar na diretoria. Junto com Jack. Aos poucos essa dupla improvável se aproxima e, juntos, eles aprendem a enxergar um ao outro como ninguém antes tinha feito.

O livro vai contar a história de Libby Strout  e Jack Masselin, dois jovens que juntarão os pedaços de suas vidas, cada um a sua maneira, fazendo com que a cada capítulo o leitor seja levado a uma reflexão e a questionamentos sobre alguns fatos de sua própria vida.

Libby, que estava afastada da escola há anos, em decorrência da morte de sua mãe, adquiriu ansiedade e uma compulsão alimentar que a deixou presa dentro de casa, literalmente. Ela chegou a ser considerada a garota mais gorda dos Estados Unidos, sendo necessário que um guindaste fosse acionado para resgatá-la.

Porém, agora, buscando superar o luto, ela esta disposta a seguir em frente, levar uma vida diferente, conquistar seu próprio espaço, apesar dos percalços impostos pela vida, e por essa razão, decidiu retornar a escola.

Entretanto, essa volta não será nada fácil, uma vez que ela continuará encontrando pessoas nocivas e maldosas, que a desprezam por seu excesso de peso.

“Ele resmunga alguma coisa que parece e provavelmente é gorda vadia. Não importa que eu seja virgem. Considerando todos os meninos que me chamam disso desde o quinto ano, é de se imaginar que eu já dei umas mil vezes.” (Página 48)

Jack, é o garoto mais popular do colégio. Bonito, carismático e amado por todos, ele também namora a garota mais bonita do local e é um dos valentões que não se importam em causar a discórdia por onde passam.

E é durante um desses atos de bullying e desrespeito, que ele conhecerá Libby.

O que ninguém sabe, é que Jack usa essa fachada de maioral, apenas para encobrir a prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer rostos, inclusive o dele próprio. E esse segredo, que Jack carrega por toda a vida, é o que o tornará mais humano no fim das contas.

Jennifer Niven tem o dom de contar histórias tocantes e inspiradoras. Pois, assim como fez em Por lugares incríveis, a autora conseguiu imprimir suas mais profundas emoções nesse livro, construindo mais uma vez uma história inovadora e cheia de contrastes.

A elaboração dos personagens é convincente e extremamente emocionante, Libby é uma das melhores personagens já criadas, linda, encantadora e inteligente, ela nos ensina o valor do amor-próprio, e que não precisamos ser escravos de determinado padrão social para sermos aceitos.

“- Se todo mundo que tem alguma coisa para falar de mim passasse todo esse tempo, sei lá, sendo gentil ou desenvolvendo uma personalidade ou uma alma, imagine como o mundo seria.” (Página 107)

Com personagens especiais e extremamente encantadores,  Juntando os pedaços é um livro sobre preconceito e compreensão, que nos fará refletir e agora figura entre os livros favoritos da minha vida. Lindo demais!

“Quanto aos outros, lembrem-se: alguém gosta de você. Grande, pequeno, alto, baixo, bonito, comum, simpático, tímido. Não deixe ninguém dizer o contrário, nem você mesmo.

Principalmente você mesmo.” (Página 317)

 






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