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21
mar 2017

ARQUIVADO EM: Literatura

Apegados.indd Autora: Sarah Jio

Título Original: The Violets of March

Editora: Novo Conceito

Número de Páginas: 304

Avaliação: 5/5

Onde Comprar:

 

Sinopse: Emily Taylor é uma mulher jovem e escritora de sucesso, mas não gosta muito de seu próprio livro. Também tem um casamento que parece ideal, no entanto ele acabará em divórcio. Sentindo que sua vida perdeu o propósito, Emily decide fazer as malas e passar um tempo em Bainbridge – a ilha onde morou quando menina – para tentar se reorganizar. Enquanto busca esquecer o ex-marido e, ao mesmo tempo, arrumar material para um novo – e mais verdadeiro – livro, um antigo colega de escola e o namorado proibido da adolescência tornam-se seus companheiros frequentes. Entretanto, o melhor parceiro de Emily será um diário da década de 1940, encontrado no fundo de uma gaveta. Com o diário em mãos, Emily sentirá o estranhamento e a comoção causados pela leitura de uma biografia misteriosa que envolve antigos habitantes da ilha e que tem muito a ver com sua própria história. Assim como as violetas que desabrocham fora de estação para mostrar que tudo é possível, a vida de Emily Taylor poderá tomar um rumo improvável e cheio de possibilidades. As Violetas de Março é um romance sobre a força do amor, sobre as peças que o destino prega e sobre como podemos ser felizes mesmo quando tudo parece conspirar contra a felicidade.

Com um trecho da delicada canção de Tom Jobim, As Águas de Março, a autora nos conduz à história de Emily, uma escritora renomada que após ter o coração partido pelo marido, resolve seguir rumo a Baindridge, uma pequena cidade localizada no estado de Washington, a pedido de sua tia Bee, buscando resgatar sua inspiração e um novo sentido para sua vida.

“Bee acredita que o estuário de Puget tinha imenso poder de cura. E eu sabia que, quando lá chegasse, ele me encorajaria a tirar os sapatos e a ir vadear, mesmo se fosse uma hora da manhã” (Página 24)

Chegando lá, Emily reencontra amores do passado e pessoas que fizeram parte de sua vida durante a infância. Contudo, o surgimento misterioso de um caderno de veludo vermelho em seu quarto, é o enigma que a intriga no momento, fazendo com que a célebre escritora comece uma minuciosa investigação sobre aqueles personagens da década de 1940, mesmo que as palavras contidas no velho diário não fizessem sentido algum para ela.

“Porque uma história de 1940, de alguém sobre quem eu nada sabia, teria qualquer relevância para minha vida? Como seria possível? Nada daquilo fazia sentido, mas em algum lugar em meu coração eu estava começando a sentir que talvez fizesse.” (Página 200)

Nessa empreitada, Emily descobrirá segredos do passado que mudarão completamente sua vida. Conhecerá a si mesma e entenderá que o verdadeiro amor esta traçado e que o destino é seu maior aliado.

“Deixo-lhe um pensamento, um pensamento sobre o amor que me levou a passar por muitos fracassos: o grande amor perdura ao tempo, à magoa e a distância. E mesmo quando tudo parece perdido, o verdadeiro amor vive. Sei disso agora, e espero que você também.” (Página 276)

Finalizo esta resenha completamente encantada com Sarah Jio, por nos apresentar sua primeira história de maneira tão comovente e arrebatadora. As Violetas de Março, é sem dúvida, um livro inesquecível, cativante e encantador.

Se você esta a procura de um romance em que o destino é quem dita as regras e almas gêmeas se reconhecem. Esse livro é para você!

 



7
mar 2017

ARQUIVADO EM: Literatura

Autor: Ranson Riggs

Título Original: Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children

Editora: Leya

Número de Páginas: 336

Avaliação: 4/5

Onde Comprar: 

Sinopse: Tudo está à espera para ser descoberto em “O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares”, um romance que tenta misturar ficção e fotografia. A história começa com uma tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo. E, de algum modo – por mais impossível que possa parecer – ainda podem estar vivas.

O livro vai contar a história de Jacob, um jovem que passou a vida inteira escutando histórias curiosas sobre a vida de seu avô, histórias que o deixaram absolutamente fascinado.

“Eu tinha acabado de aceitar que minha vida seria apenas comum quando coisas extraordinárias começaram a acontecer comigo. A primeira delas foi um choque terrível, dividiu minha vida em duas partes. Antes e depois.

Como muitas coisas extraordinárias que viriam, ela envolveu meu avô, Abraham Portman.” (Página 8) 

Misturando fotografias bizarras e lúdicas, fantasia e realidade, O Orfanato da Srta. Peregrine é um livro verdadeiramente peculiar, e embora não faça parte do meu tipo de leitura habitual, devo confessar que foi bastante interessante acompanhar Jacob nessa aventura surreal.

Entrar naqueles aposentos com ele, ao mesmo tempo em que foi assustador, despertou em mim uma curiosidade fora do comum. Afinal, eu também queria descobrir o que havia acontecido ali, quem eram aquelas crianças e quem era a Srta. Peregrine.

“Será que era isso que meu avô queria que eu encontrasse? É, só pode ser – não as cartas de Emerson, mas uma carta guardada dentro do livro de Emerson. Mas quem era essa diretora escolar, essa Alma Peregrine?” (Página 59)

A proposta do livro é bastante interessante, e mesmo achando os capítulos demasiadamente longos e cansativos, a narrativa é ótima e as ilustrações são belíssimas, até as imagens mais estranhas, tinham o seu valor.

“- Não quero ser rude, mas o que são essas pessoas? – Perguntei.

– Nós somos peculiares – respondeu, soando um pouco intrigado.

– Você não é?

– Não sei. Acho que não.

– É uma pena.” (Página137)

A ideia de mesclar fantasia e realidade, incluindo fotografias curiosas e macabras (que o autor afirma serem reais!), deram a história ainda mais credibilidade. 

Com um enredo original e um romance surpreendente, O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares, é um livro tenso e cheio de mistério, que prende o leitor do início ao fim, o transportando para um mundo fantástico, fazendo com que ele não queira mais voltar para a realidade.

Finalizo afirmando que gostei do livro, não amei, mas, para aqueles que estão à procura de uma leitura misteriosa, com toques sobrenaturais e um visual sombrio, esse livro é perfeito!



21
fev 2017

ARQUIVADO EM: Literatura

 


Autora: Jennifer Niven

Título Original: Holding Up the Universe

Editora: Seguinte

Número de Páginas: 392

Avaliação: 5/5

Onde Comprar:

 

Sinopse: Jack tem prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer o rosto das pessoas. Quando ele olha para alguém, vê os olhos, o nariz, a boca… mas não consegue juntar todas as peças do quebra-cabeça para gravar na memória. Então ele usa marcas identificadoras, como o cabelo, a cor da pele, o jeito de andar e de se vestir, para tentar distinguir seus amigos e familiares. Mas ninguém sabe disso — até o dia em que ele encontra a Libby. Libby é nova na escola. Ela passou os últimos anos em casa, juntando os pedaços do seu coração depois da morte de sua mãe. A garota finalmente se sente pronta para voltar à vida normal, mas logo nos primeiros dias de aula é alvo de uma brincadeira cruel por causa de seu peso e vai parar na diretoria. Junto com Jack. Aos poucos essa dupla improvável se aproxima e, juntos, eles aprendem a enxergar um ao outro como ninguém antes tinha feito.

O livro vai contar a história de Libby Strout  e Jack Masselin, dois jovens que juntarão os pedaços de suas vidas, cada um a sua maneira, fazendo com que a cada capítulo o leitor seja levado a uma reflexão e a questionamentos sobre alguns fatos de sua própria vida.

Libby, que estava afastada da escola há anos, em decorrência da morte de sua mãe, adquiriu ansiedade e uma compulsão alimentar que a deixou presa dentro de casa, literalmente. Ela chegou a ser considerada a garota mais gorda dos Estados Unidos, sendo necessário que um guindaste fosse acionado para resgatá-la.

Porém, agora, buscando superar o luto, ela esta disposta a seguir em frente, levar uma vida diferente, conquistar seu próprio espaço, apesar dos percalços impostos pela vida, e por essa razão, decidiu retornar a escola.

Entretanto, essa volta não será nada fácil, uma vez que ela continuará encontrando pessoas nocivas e maldosas, que a desprezam por seu excesso de peso.

“Ele resmunga alguma coisa que parece e provavelmente é gorda vadia. Não importa que eu seja virgem. Considerando todos os meninos que me chamam disso desde o quinto ano, é de se imaginar que eu já dei umas mil vezes.” (Página 48)

Jack, é o garoto mais popular do colégio. Bonito, carismático e amado por todos, ele também namora a garota mais bonita do local e é um dos valentões que não se importam em causar a discórdia por onde passam.

E é durante um desses atos de bullying e desrespeito, que ele conhecerá Libby.

O que ninguém sabe, é que Jack usa essa fachada de maioral, apenas para encobrir a prosopagnosia, uma doença que o impede de reconhecer rostos, inclusive o dele próprio. E esse segredo, que Jack carrega por toda a vida, é o que o tornará mais humano no fim das contas.

Jennifer Niven tem o dom de contar histórias tocantes e inspiradoras. Pois, assim como fez em Por lugares incríveis, a autora conseguiu imprimir suas mais profundas emoções nesse livro, construindo mais uma vez uma história inovadora e cheia de contrastes.

A elaboração dos personagens é convincente e extremamente emocionante, Libby é uma das melhores personagens já criadas, linda, encantadora e inteligente, ela nos ensina o valor do amor-próprio, e que não precisamos ser escravos de determinado padrão social para sermos aceitos.

“- Se todo mundo que tem alguma coisa para falar de mim passasse todo esse tempo, sei lá, sendo gentil ou desenvolvendo uma personalidade ou uma alma, imagine como o mundo seria.” (Página 107)

Com personagens especiais e extremamente encantadores,  Juntando os pedaços é um livro sobre preconceito e compreensão, que nos fará refletir e agora figura entre os livros favoritos da minha vida. Lindo demais!

“Quanto aos outros, lembrem-se: alguém gosta de você. Grande, pequeno, alto, baixo, bonito, comum, simpático, tímido. Não deixe ninguém dizer o contrário, nem você mesmo.

Principalmente você mesmo.” (Página 317)

 



7
fev 2017

ARQUIVADO EM: Literatura

Autora: Bianca Briones

Editora: Gutenberg

Número de Páginas: 208

Avaliação: 5/5

Onde Comprar: Amazon | Americanas | Saraiva | Submarino

Sinopse: Eva nasceu com o dom de passar todos os seus sentimentos para o papel, e com isso conquistou milhares de leitores pelo mundo. Agora, ela precisa escrever o último livro da sua série de fantasia, mas está com bloqueio criativo há um ano e não sabe o que fazer. Enquanto tenta se reconectar a seus personagens, a vida coloca em seu caminho um homem idêntico a um dos seus protagonistas. O problema é que o desconhecido surge sem nenhuma lembrança de quem ele é. Enzo está muito confuso. A princípio, ele duvida da conversa maluca de Eva. Mas mesmo com dificuldade em acreditar, ele não pode negar que se sente extremamente ligado a ela. Envolvidos por esse curioso e estranho mistério, Eva e Enzo estão prestes a descobrir que, às vezes, para que duas pessoas se encontrem, mundos inteiros são capazes de colidir.

Sempre fui fã da escrita da Bianca, e quando ela anunciou o lançamento de Como se fosse magia, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo em 2016, eu não poderia perder.

O livro vai contar a história de Eva, uma premiada escritora que esta passando por uma fase de bloqueio criativo, justamente quando precisa entregar o último livro de sua série de fantasia.

Eva, que sempre foi conhecida pela sensibilidade e o dom para emprestar seu sentimento às histórias, conta com o precioso apoio do amigo Thiago para conseguir se livrar de vez dessa barreira que a impede de terminar sua série.

“Ás vezes, tudo o que uma escritora quer é poder se esquecer de todas as suas histórias e mergulhar no universo criado por outro alguém.” (Página 15)

Acontece que o destino colocará em seu caminho, um rapaz que aparentemente é o personagem principal da história de seu livro. Desnorteada e incrédula, a escritora fará de tudo para provar que seu Enzo realmente existe.

“- Acho que conheço você, mas não daqui.

– De onde? – Ele franze a testa e estreita os olhos, mais Enzo impossível.

Sei que o que vou dizer pode mudar tudo outra vez, mas, por mais insano que seja, ele precisa saber. Então, fecho os olhos, temerosa e digo:

– Dos meus livros (Página 43)

Bianca é realmente surpreendente, e sua estreia no mundo dos chick-lits foi um verdadeiro show, pois seu livro contém os ingredientes perfeitos para narrar uma boa história.

Sem contar com a presença constante de Thiago. Um personagem incrível, o melhor amigo que qualquer pessoa poderia ter, seu jeito todo especial faz com que os devaneios de Eva tornem-se lúdicos e leves. Ele é simplesmente maravilhoso!

“Você vai além das palavras. Você tem um dom. É como se fosse magia. E nem todo mundo está preparado para ser preenchido com uma boa dose de magia.” (Página 51)

Romântico e divertido, Como se fosse magia parece ser verdadeiramente mágico. Um livro cativante que vai além da história de amor. Recomendo, sem dúvida alguma!

“Não sei que força é essa que nos liga. Acho que ás vezes, para que duas pessoas se encontrem, mundos inteiros são capazes de colidir.” (Página 204)

 



10
jan 2017

ARQUIVADO EM: Literatura

Autor: Milton Hatoum

Editora: Companhia das Letras

Número de Páginas: 266

Avaliação: 5/5

Onde Comprar: Amazon | Americanas | Saraiva | Submarino

Sinopse: “Dois Irmãos” é a história de como se constroem as relações de identidade e diferença numa família em crise. É a história de dois irmãos gêmeos – Yaqub e Omar – e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino – o filho da empregada – narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado. Buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa, ele tenta reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança, à paixão desmesurada. O lugar da família se estende ao espaço de Manaus, o porto à margem do rio Negro: a cidade e o rio, metáforas das ruínas e da passagem do tempo, acompanham o andamento do drama familiar. Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Romance.

Confesso que não conhecia o livro, mas com a divulgação da minissérie da globo, e a proximidade de sua estreia, corri para ler e foi uma grata surpresa.

A história vai falar sobre a relação de ódio e rivalidade eterna de dois irmãos gêmeos de origem libanesa, Yaqub e Omar. O primeiro, mais tímido, recluso e calado, com um futuro promissor, saiu de casa para morar fora, uma tentativa do pai, Halim, de afastar os gêmeos na esperança de cessarem as brigas.

Omar, gêmeo caçula, rebelde, vivia entre a inércia da ressaca e a euforia da farra noturna. Logo nos primeiros meses de vida, foi acometido por uma grave pneumonia, fazendo com que Zana, sua mãe, o cercasse de um zelo excessivo, uma espécie de mimo doentio, de quem via na frágil saúde do filho, a morte iminente.

Com personagens de perfis psicológicos interessantíssimos, Dois Irmãos revelou-se uma obra singular, repleta de elementos curiosos, além da rica descrição da cultura Manauara, que insere ainda mais o leitor nessa história fascinante.

O relato sobre a vida familiar de Halim e Zana, nos traz a oportuna lição sobre a administração dos conflitos familiares. Impossível não notar as semelhanças da relação desses irmãos com os personagens bíblicos, Caim e Abel e seu ódio indissolúvel, bem como Esaú e Jacó. Percebemos também em Zana um comportamento similar a Rebeca, mãe de Esaú e Jacó, quando releva nítida preferência por um de seus filhos.

“Naquela época, tentei, em vão, escrever outras linhas. Mas as palavras parecem esperar a morte e o esquecimento. Permanecem soterradas, petrificadas, em estado latente, para depois, em lenta combustão, acenderem em nós o desejo de contar passagens que o tempo dissipou. E o tempo, que nos faz esquecer, também é cúmplice delas. Só o tempo transforma nossos sentimentos em palavras mais verdadeiras, disse Halim durante uma conversa, quando usou muito o lenço para enxugar o suor do calor e da raiva ao ver a esposa enredada ao filho caçula.” (Página 244)

Repleta de conflitos e situações bastante conturbadas, a memorável história escrita por Milton Hatoum, é riquíssima na demonstração da natureza humana em suas inquietações e questionamentos. Além, é claro, da busca incessante do filho de Domingas, pela identidade de seu pai, envolvendo de mistério essa obra, já tão rica.

“Alguns dos nossos desejos só se cumprem no outro, os pesadelos pertencem a nós mesmos. (Página 264)

Dois irmãos é um livro profundo e sensível, que agora figura entre os meus livros favoritos da vida, logo, sua leitura é indispensável. Recomendadíssimo, sem dúvida.



6
dez 2016

ARQUIVADO EM: Literatura

Autor: Jay Asher

Título Original: Thirteen Reasons Why

Editora: Ática 

Número de Páginas: 256

Avaliação: 4/5

Onde Comprar: Amazon | Americanas | Saraiva | Submarino

Sinopse: Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de sua casa um misterioso pacote em seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker – uma colega de classe e antiga paquera que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem 13 motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

Hannah Baker é uma menina bonita e popular na escola que ninguém entendeu quando cometeu suicídio. É quando Clay Jensen recebe em sua porta uma caixa repleta de fitas onde Hannah explica os motivos de sua trágica decisão.

Hannah então, começa a contar detalhes de sua vida e sua rotina e os motivos que a fizeram cometer suicídio. Clay incrédulo, ainda não sabe porquê ele esta nas fitas, o que ele teria feito de tão grave para merecer ser punido assim?

“E vocês – o resto – repararam nas cicatrizes que deixaram para trás?

Não. Provavelmente não. Não foi possível. Porque a maioria delas não pode ser vista a olho nu.” (Página 61)

Ao longo dos relatos de Hannah, vamos entendendo melhor tudo o que ela passou  e descobrimos que não foi apenas um fato isolado, foi um somatório de coisas que a levaram a isso.

Bullying, fofocas sem fundamento, maldade de algumas pessoas, tudo isso culminou para sua atitude intempestiva.

“Ninguém sabe ao certo quanto impacto tem na vida dos outros. Muitas vezes não temos noção.” (Pág. 135)

Os 13 porquês é um livro forte que aborda um tema importante de ser discutido, especialmente entre os jovens.

Acredito que nada justificaria um suicídio, sou a favor da vida e que devemos lutar por ela com todas as nossas forças. No entanto, no contexto apresentado pela protagonista, é compreensível que quando uma jovem é agredida ou assediada sem a menor chance de defesa, se vendo acuada e cansada de tanta perseguição ela acabe por tomar uma atitude mais drástica.

“Depois de tudo que eu contei nestas fitas,de tudo o que ocorreu,fiquei pensando em suicídio. Na maioria das vezes, era apenas um pensamento passageiro.

Eu queria morrer.

Pensei nessas palavras muitas vezes. É algo difícil de dizer em voz alta.

 É ainda mais assustador quando você sente que pode estar falando sério.” (Página 217)

 Com certa ressalva, eu recomendo a leitura de Os 13 Porquês para aqueles que são fãs de um bom drama e estão curiosos quanto ao desfecho da história de Hannah e Clay.

O livro teve seus direitos comprados pelo canal a cabo Netflix para virar uma minissérie de 13 episódios sob a produção executiva da cantora/atriz Selena Gomez. A assessoria da artista informou ainda que Selena não irá estrelar a série, apenas produzir. Vamos aguardar essa estreia e ver como Hannah será retratada na TV.



8
nov 2016

ARQUIVADO EM: Literatura

Autor: Liane Moriarty
Título original: 
Big Little Lies
Editora:
Intrínseca
Número de páginas:
400
Avaliação: 5/5  

Onde comprar:  Amazon | Americanas | Saraiva | Submarino

Sinopse: Madeleine é forte e passional. Separada, precisa lidar com o fato de que o ex a nova mulher, além de terem matriculado a filhinha no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline, parecem estar conquistando também sua filha mais velha. Celeste é dona de uma beleza estonteante. Com os filhos gêmeos entrando para a escola, ela e o marido bem-sucedido têm tudo para reinar entre os pais. Mas a realeza cobra seu preço, e ela não sabe se continua disposta a pagá-lo. Por fim, Jane, uma mãe solteira nova na cidade que guarda para si certas reservas com relação ao filho. Madeleine e Celeste decidem fazer dela sua protegida, mas não têm ideia de quanto isso afetará a vida de todos.

A história começa rodeada de mistério, pois logo no início percebe-se que algo muito grave aconteceu naquela escola na noite do concurso de perguntas. E é nesse clima de suspense que nos são apresentadas as protagonistas: Madeleine, Celeste e Jane.

“O som do canto das crianças no segundo andar do prédio sempre a fazia chorar. Ela nunca acreditara em Deus, salvo quando ouvia crianças cantando.” (Página 13)

Três donas de casa aparentemente comuns, que vivem e trabalham para manter seus filhos e família a salvo de qualquer problema. Madeleine tenta lidar com seu ex marido e a atual esposa voltando para sua vida e de sua filha Abigail.

Celeste é casada, bem sucedida e mãe de lindos filhos gêmeos que junto da amiga Madeleine, decide ajudar a novata Jane, recém chegada a cidade, a se adaptar aos novos costumes.

“Em um instante, ela estava andando direitinho, e, no seguinte, pisou em falso, virando o tornozelo em um ângulo terrivelmente errado […] Esse foi, quase com certeza, o instante em que a história começou.” (Página 20)

No entanto, alguma coisa aconteceu naquela noite na escola, todos comentam, todos questionam, mas ninguém expressa verdadeiramente o que houve de fato, ninguém sabe de nada, ninguém viu nada.

“As crianças formavam uma turma maravilhosa, e os pais não estavam sendo muito irritantes. Mas então, na metade do primeiro trimestre, tudo desmoronou.” (Página 191)

Contudo, nas tramas escritas por Liane Moriarty, ninguém é totalmente mocinho ou vilão, nada é calmo e tranquilo como aparenta, e as reviravoltas até chegar ao clímax dão o tom de suas obras. Nesse livro, a autora traz a tona temas polêmicos que merecem ser abordados e discutidos a exaustão.

Pequenas Grandes Mentiras conta a história dessas três mulheres, cada uma diante de um impasse, cada uma tentando a seu modo sobreviver na selva de pedra em que se transformou a sociedade em que vivem, onde as aparências enganam e nem tudo é o que parece ser.

“Isso pode acontecer com qualquer um.” (Página 397)

Finalizo a resenha parafraseando a publicação justíssima da people magazine que diz: “Expor os defeitos do que parece ser perfeito é a especialidade de Liane Moriarty.”

O canal a cabo HBO, anunciou a criação de uma minissérie baseada no livro de Liane Moriarty. Big Little Lies, que ainda não tem data de estreia definida, terá Nicole Kidman, Reese Witherspoon e Shailene Woodley nos papéis principais. A minissérie chega à tela da HBO em 2017.

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18
out 2016

ARQUIVADO EM: Literatura

espia
Autor: Paulo Coelho
Editora: Paralela
Número de páginas:
184
Avaliação:
4/5  
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Sinopse: Mata Hari foi a mulher mais desejada de sua época: bailarina exótica que chocava e encantava plateias ao se desnudar nos palcos, confidente e amante dos homens mais ricos e poderosos de seu tempo, figura de passado enigmático que despertava o ciúme e a inveja das damas da aristocracia parisiense. Ela ousou libertar-se do moralismo e dos costumes provincianos das primeiras décadas do século XX e pagou caro por isso: em 1917, foi executada pelo pelotão de fuzilamento do exército francês, sob alegação de espionagem. Em seu novo romance, Paulo Coelho revisita a vida dessa mulher extraordinária, mostrando ao leitor que as árvores mais altas nascem das menores sementes.

Baseado em fatos reais, o novo livro de Paulo Coelho narra a história de Mata Hari, uma bailarina exótica acusada de espionagem e condenada a morte durante a I Guerra Mundial.

 

“Se Deus lhe desse outra chance, faria tudo diferente?”  (Página 27) 

 

Advinda de uma infância difícil e um casamento destrutivo, Margaretha Zelle como foi batizada, era uma moça a frente de seu tempo, que não tinha medo ou pudor. Ela era apenas livre, livre para fazer o que quisesse, livre para agir como agia e foi exatamente por essa razão que foi punida.

A protagonista foi uma mulher extraordinária, que ousou ser moderna numa época de opressão, especialmente para as mulheres. Mata Hari, pecou apenas por ser mulher, por querer ser livre para os padrões de sua época.

“Sou uma mulher que nasceu na época errada e nada poderá corrigir isso. Não sei se o futuro se lembrará de mim, mas, caso isso ocorra, que jamais me vejam como uma vítima, mas sim com alguém que deu passos corajosos e pagou sem medo o preço que precisava pagar.” (Página 28) 

Tamanha ousadia lhe custou caro, atiçando a ira dos poderosos que acabaram acusando-a de espionagem. Julgada em um processo coberto de falhas, a bailarina foi condenada por um crime que não cometeu de fato, mas que por ingenuidade acabou por levá-la ao fuzilamento no ano de 1917.

Embora seja uma obra baseada em fatos reais, o autor relata que não escreveu uma biografia de Mata Hari. Seu minucioso trabalho de pesquisa, reuniu apenas alguns fatos de sua vida até sua prisão e morte.

Particularmente, eu achei a história fascinante. Paulo Coelho consegue ilustrar de forma magistral as últimas palavras de Margaretha Zelle na prisão e todo o sofrimento a que ela foi submetida durante o cárcere, a maneira com que o autor decidiu conduzir sua história foi tocante e verossímil, mostrando ao leitor, o lado humano da artista Mata Hari, com seus anseios e dores. Simplesmente sem palavras.

“Todos nós sabemos que serei morta não por causa desta alegação estúpida de espionagem, mas porque decidi ser quem sempre sonhei, e o preço de um sonho é sempre alto.” (Página 74)



4
out 2016

ARQUIVADO EM: Literatura

 

raio-de-solAutor: Kim Holden
Título original:
Bright Side
Editora:
Planeta
Número de páginas:
448
Avaliação: 5/5  

Onde comprar:  Amazon | Americanas | Saraiva | Submarino

Sinopse: “Faça épico”, costuma dizer Kate Sedgwick quando quer estimular alguém a dar o melhor de si. Nascida numa família-problema, com direito a mortes e abandono, a garota de dezoito anos sempre buscou fazer a diferença. Em vez de passar os dias lamentando os infortúnios da vida, como tantos fariam em seu lugar, sempre vê as coisas pelo lado positivo – não é por outro motivo que Gus, seu melhor amigo, a chama de Raio de Sol. E é por isso que, quando passa na faculdade e se muda da ensolarada San Diego, na Califórnia, para a fria cidade de Grant, em Minnesota, ela leva consigo apenas boas lembranças e perspectivas. O que ela não espera é que será surpreendida pelo amor – único aspecto da vida em relação ao qual nunca quis ser otimista – ao conhecer Keller Banks, um rapaz que parece corresponder aos seus sentimentos. Acontece que tanto ele quanto ela têm um segredo. E segredos, às vezes, podem mudar tudo.

O livro narra a história de Kate Sedgwick, uma moça com um passado doloroso e difícil, mas que apesar disso, procura ver a vida com olhos otimistas. Kate sempre tem uma palavra amiga e as pessoas sempre podem contar com seu apoio, seja para o que for. Ela sempre estará lá. Não é à toa, que seu melhor amigo, Gus, a chama de Raio de Sol, pois Kate parece mesmo ser luz em meio à escuridão.

Kate, que foi criada por uma mãe doente, se vê obrigada também a cuidar da irmã mais velha, com síndrome de Down. Mas, ela não reclama, apenas aceita a tarefa que lhe foi atribuída e procura fazer as coisas da melhor maneira possível e com amor no coração.

“Sei que é estranho, mas gosto de pensar em Deus como meu amigo. Não sou religiosa; só falo com ele com frequência. Peço muitos favores. Às vezes, as coisas funcionam a meu favor, e às vezes, não. É a vida. A gente só precisa aproveitar ao máximo.” (Página 44)

 

Kate, que morava na ensolarada metrópole de San Diego, na Califórnia, se muda para a gelada cidadezinha de Grant, em Minnesota para cursar faculdade, e lá sua vida parece tomar rumos totalmente inesperados.

Contudo, Kate só é cética com relação a uma coisa, o amor. Ela não acredita no amor romântico e se diz realista quanto a isso, ela não espera o príncipe encantado ou fica fantasiando um conto de fadas, que segundo ela, nunca irá acontecer.

“O amor é um conceito elusivo, irreal e estranho. Sei que algumas pessoas sentem e não é que eu tenha o coração endurecido. Sou otimista, mas acima de tudo sou realista. Minha vida não vai seguir um conto de fadas, e tudo bem. Minha vida é a realidade. E, na minha realidade, as pessoas não se apaixonam, se casam e vivem felizes para sempre, porque a vida é complicada.” (Página 83)

Mas, esse conceito elusivo parece mudar no dia em que ela conhece Keller Banks, um rapaz que começa a corresponder aos seus sentimentos, sem medos, cobranças ou expectativas.

 

“- Não, Raio de Sol, escute, você é muito especial. Merece alguém que a leve a encontros de verdade. Alguém que compre flores e essas merdas. Porque se existe alguém no mundo capaz de quantidades insanas de amor e que merece ser amada assim é você.

Eu balanço a cabeça.

– Não gosto de corações e flores, Gus.

– Quando você encontrar o cara certo, vai gostar. Só não encontrou ainda. – A voz dele soa triste.” (Página 83)

A história de Kate é linda e seu otimismo é inspirador, com seu jeitinho especial, ela conquista despretensiosamente o coração de todos a sua volta.

“- […] Você é a primeira amiga de verdade que já tive, Katherine. E tenho certeza de que, quando eu estiver sentado em uma cadeira de balanço em algum lugar como um cavalheiro idoso impecavelmente vestido, vou repensar na minha vida fabulosamente bem-sucedida e saber sem sombra de dúvida que eu não poderia ter sido abençoado com uma amiga melhor do que você.” (Página 193)

Por diversas vezes, me peguei dividida entre Keller e Gus, duas pessoas igualmente especiais que cultivaram amor pela protagonista e confesso que foi difícil decidir qual dos dois era mais merecedor, pois ambos são igualmente lindos e mesmo sendo opostos um do outro, cada um a sua maneira, fez por merecer o amor de Kate.

“- E por que você chama Kate de “Raio de Sol”? – pergunta Shelly.

Ele olha para mim e depois para ela. Depois olha para mim de novo.

E para ela. E aponta para mim.

-Você conhece essa garota?

Todos olham para mim com sorrisos carinhosos. Isso me traz uma sensação boa.

Gus continua.

– Ela é um exemplo de positividade. É toda raio de sol. Ela não só vê o lado bom das coisas…ela mora lá.” (Página 326)

Esse livro certamente irá te emocionar, mas por outro lado, também te fará refletir e agradecer por estar vivo e ter a oportunidade de conhecer essa linda história. Por isso, indico muito. Leia, desfrute cada página e seja arrebatado por toda a generosidade, gratidão e amor de Kate, mas certifique-se de trazer uma caixa de lenços, você vai precisar.

“Eu cresci acreditando que era meu trabalho cuidar de todo mundo. Minha irmã precisava de mim. Minha mãe precisava de mim. Eu cresci acreditando no amor, em dar e receber. Gracie, Gus, Audrey, meus amigos…Eu os amei e eles me amaram. Eles me impediram de virar a pessoa amarga e rabugenta que eu poderia ter virado. A pessoa contra a qual eu lutava. Cresci acreditando que tinha que ser forte. Eu precisava ter controle porque as pessoas dependiam de mim e eu queria estar ao lado delas. Se me arrependo de alguma dessas coisa? Não. Eu não curto arrependimento. Isso me tornou quem eu sou.” (Página 438)



13
set 2016

ARQUIVADO EM: Literatura

Firefly Lane #2
Autor:
Kristin Hannah
Título original:
Fly Away
Editora:
Novo Conceito
Número de páginas:
400
Avaliação: 
5/5
Onde comprar: Amazon | Americanas | Saraiva | Submarino

Atenção: A sinopse e resenha desse livro contém spoiler do livro anterior (Amigas para Sempre).

Sinopse: Tully Hart é uma mulher ambiciosa, movida por grandes sonhos que, na verdade, escondem as lembranças de um passado de abandono e dor. Ela acredita que pode superar qualquer coisa ao esconder bem fundo os sentimentos de rejeição que carrega desde a infância…Até que sua melhor amiga, Kate Ryan, morre. Então, tudo começa a mudar para Tully, que se vê escorregando em um precipício cheio de memórias melancólicas e remédios para dormir.

Dorothy Hart ou nuvem, como era conhecida nos anos 1970, está no centro do trágico passado de Tully. Ela abandonou a filha repetidas vezes na infância. Até que as duas se separam de uma vez por todas.

Aos dezesseis anos, Marah Ryan ficou devastada pela morte da mãe, Kate. Embora seu pai e seus irmãos se esforcem para manter a família unida.

Marah transformou-se numa adolescente rebelde e inacessível em sua dor. Tully tenta aproximar-se de Marah mas sua incapacidade de lidar com os sentimentos da afilhada acaba empurrando a menina para um relacionamento infeliz com um rapaz problemático.

A vida dessas duas mulheres está intimamente ligada, e a maneira como elas vão rever seus erros e acertos constrói um romance comovente sobre o amor, a maternidade, as perdas e o novo começo. Onde há amor, há perdão…

No primeiro livro, Amigas para Sempre, nós somos apresentados a linda história de amizade entre Tully Hart e Kate Mularkey. Como elas se conheceram, seu cotidiano e a transição da adolescência à fase adulta com todas as descobertas e crises existenciais.

Em Por toda a Eternidade, nós acompanhamos a dor dos personagens e a tentativa de se reerguer após a inestimável perda de Kate.

“Minha mãe aperfeiçoara a arte de me abandonar e passei toda a minha infância fingindo que a verdade era uma mentira. Somente com Kate fui honesta.” (Página 63)

Tully e os integrantes da família Mularkey/Ryan terão obstáculos a transpor muito maiores do que poderiam imaginar, e é nessa jornada, que cada um embarcará numa viagem em busca de autoconhecimento e amor.

“Comecei cedo, agarrando-me firme demais e precisando de muita coisa. Sempre ansiei por amor. Do tipo incondicional e até mesmo imerecido.

Precisava que alguém dissesse para mim. Não é para parecer coitadinha, mas minha mãe nunca me disse. Nem minha avó. Não havia mais ninguém…” (Página 217)

Este é um livro sobre perdas, recomeços, amor e perdão. Kristin Hannah consegue mais uma vez nos emocionar com suas palavras e nos fazer refletir sobre a vida, o passado e o futuro.

“Sempre que você ouvir nossa música ou rir alto, vou estar lá. Quando você fechar seus olhos à noite e se lembrar, vou estar lá.”(Página 386)

Por Toda a Eternidade conta uma história sobre como seguir em frente quando estamos emocionalmente perdidos e fragilizados, e autora está mais uma vez de parabéns pelo lindo enredo e comovente desfecho. Leitura mais do que recomendada.






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