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7
ago 2014

ARQUIVADO EM: Literatura

Silo #1
Autor: Hugh Howey        

Editora: Intrínseca 
Número de páginas: 500
Avaliação: 5/5

O que você faria se o mundo lá fora fosse fatal, se o ar que respira pudesse matá-lo? E se vivesse confinado em um lugar em que cada nascimento precisa ser precedido por uma morte, e uma escolha errada pode significar o fim de toda a humanidade? Essa é a história de Juliette. Esse é o mundo do Silo. Em uma paisagem destruída e hostil, em um futuro ao qual poucos tiveram o azar de sobreviver, uma comunidade resiste, confinada em um gigantesco silo subterrâneo. Lá dentro, mulheres e homens vivem enclausurados, sob regulamentos estritos, cercados por segredos e mentiras.

Para continuar ali, eles precisam seguir as regras, mas há quem se recuse a fazer isso. Essas pessoas são as que ousam sonhar e ter esperança, e que contagiam os outros com seu otimismo.
Um crime cuja punição é simples e mortal.
Elas são levadas para o lado de fora.
Juliette é uma dessas pessoas.
E talvez seja a última |Skoob|
Silo é uma imensa estrutura, de 144 andares subterrâneos. As pessoas vivem ali pois a terra se tornou inabitável, quem sai do silo morre em poucos minutos, o ar é totalmente nocivo. Toda a estrutura é bem dividida, em diversos setores como TI, Suprimentos e Mecânica.
A trama começa mostrando o xerife Holston, que três anos após a morte de sua esposa, decide sair do Silo, ele então é enviado para a limpeza. Essa limpeza é a forma como os comandantes do Silo resolveram punir os infratores, as pessoas são enviadas para o lado de fora da estrutura e precisam fazer a limpeza das câmeras externas, que são a única forma de visualizar a terra, ou o que sobrou dela.
Com a morte do xerife Holston, o cargo fica em aberto. Sendo assim, a prefeita Jahns e o delegado Marnes partem em busca de um novo xerife, e eles escolhem Juliette, que mora nas profundezas, e faz parte da mecânica. Quando Jules aceita o cargo, e se muda para o topo do Silo, muitas coisas começam a acontecer, e ela se vê cercada de segredos e mentiras, que podem colocar sua vida, e a de todos que ama, em perigo.

(…) – Eu sempre tive dúvidas, desconfianças, de que as coisas não eram tão ruins lá fora como pareciam. Você já sentiu isso, não? Que podíamos estar em qualquer lugar, vivendo uma mentira?

Silo foi uma leitura incrível, pelo menos para mim. A trama é inteligente, bem trabalhada e intrincada. A forma como as situações foram acontecendo me agradou muito, consegui entender cada detalhe e ao final de cada capitulo eu mal podia esperar para inciar o próximo. As reviravoltas são constantes, e o que relatei acima não é nem um 1/3 do que a história realmente é.
O livro é narrado em terceira pessoa e dividido em 5 partes, sendo que cada capitulo vai intercalando personagens e situações diferentes. E por falar em narrativa, preciso dizer que Hugh Howey realmente sabe o que está fazendo, eu não conseguia desgrudar do livro. As 100 primeiras páginas foram de certa forma paradas, mas depois foi uma loucura só.
O governo de Silo é extremamente totalitário, as pessoas praticamente são proibidas de falar o que pensam, ter ideias. O crime que mais envia pessoas para a limpeza é pensar. Aquele que começa a pensar muito, questionar e buscar repostas é imediatamente eliminado. Sem contar que TUDO é controlado, a comida, as roupas etc, e você paga até mesmo para enviar uma simples mensagem, o que torna a comunicação ainda mais difícil.
Você precisa oficializar qualquer tipo de relacionamento amoroso (ele precisa ser aprovado), e só tem permissão de ter filhos se for sorteada na loteria. Loteria essa que sempre acontece após uma limpeza. Controle de natalidade total.
Eu fiquei me perguntando, durante boa parte da leitura, o motivo de todas as pessoas realmente fazerem a limpeza. Veja bem, você foi enviado para a morte e sabe que a sua roupa especial só te reserva alguns minutos a mais de vida, sua função é limpar as câmeras externas. Mas, se você vai morrer, porque você se preocupa em limpar o que quer que seja? Como a pessoa poderia se preocupar com isso? O grande lance da trama está ai. E posso dizer que achei muito bem bolado.

Eu sei por que elas limpam, por que dizem que não vão limpar, mas limpam. E elas nunca voltam, esperam e esperam e esperam, mas eu não vou fazer isso. Vou voltar na mesma hora. Dessa vez vai ser diferente.

Os personagens são sensacionais, bem construídos e convincentes – e todos são adultos. Não, não tenho nada contra personagens adolescentes, visto que o que mais leio são livros YA, mas foi muito bom ler algo tão diferenciado. Aqui não temos mocinhas inseguras, triângulos amorosos e dilemas adolescentes, temos uma situação tão real, que pode muito bem acontecer daqui há algum tempo (e diversas situações eu já acho que acontecem mesmo). Hugh Howey criou personagens tão intensos, que até mesmo os vilões me agradaram, eu pude entender seus motivos, ainda que definitivamente não lutaria ao lado deles. Juliette é sem dúvidas a minha favorita, a personagem me ganhou logo nos primeiros capítulos onde aparece.
– Acho que o que eu quero dizer é que, se forem dar um trabalho pra Jules, tenham muito cuidado.
– Por quê? – perguntou Marnes.
Marck ergueu os olhos para a confusão de canos e fios no alto.
– Porque ela vai fazer o trabalho. Mesmo que vocês na verdade não esperem que faça.
O livro é classificado como distopia, mas se encaixa muito bem como ficção cientifica também. Estou maluca para ter o segundo livro da trilogia em mãos o quanto antes! A Editora Intrínseca criou um site, onde você pode conhecer um pouco mais da obra. Recomendo a leitura com TODA a certeza, já virou favorito. 
Para quem gosta, tem resenha em vídeo também. Lá eu contei bem menos sobre a trama, porque temi falar demais e soltar spoilers. 😀






ilustrações design e desenvolvimento