Posts arquivados em Tag: Tabitha Suzuma

27 mar, 2018

Proibido, de Tabitha Suzuma


Autora: Tabitha Suzuma

Título Original: Forbidden

Editora: Valentina

Número de Páginas: 304

Avaliação: 5/5

Onde Comprar:

Sinopse: Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.

Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes. 

Eles são irmão e irmã. 

Mas será que mundo receberá de braços abertos aqueles que ousaram violar um de seus mais arraigados tabus? E você, receberia?

A história de amor vivida por Lochan e Maya é muito mais do que o incesto, é antes de tudo a história de dois jovens lutando juntos para criar sozinhos uma família inteira.

“Você pode fechar os olhos para as coisas que não quer ver, mas não pode fechar o coração para as coisas que não quer sentir. (Página 9)

Eles foram abandonados por seu pai logo cedo, enquanto sua mãe divide-se em “encher a cara” e procurar um novo amante (que mulher odiosa!) deixando-os a própria sorte.

Assim, Maya e Lochan foram obrigados desde cedo a tomar as rédeas de suas vidas e cuidar dos irmãos menores, Kit, Tiffin e Willa. Crianças adoráveis, porém cada um numa fase diferente da vida e com seus próprios questionamentos.

Kit por exemplo, é o típico “garoto problema”, que no auge de seus 13 anos e uma ira incontrolável, acabará tomando decisões irreversíveis que afetarão diretamente todos a sua volta. Os dois menores, Tiffin e Willa ainda são muito novos e pouco entendem do que se passa a sua volta.

Ainda falando sobre o “casal”, Maya é mais passional e impulsiva, não diria que ela é irresponsável, muito pelo contrário, ela é absurdamente responsável, só que nesse caso em especial, ela esta sendo levada totalmente pelo amor que sente. Já Lochan é o mais racional da dupla, tanto que chega a dar pena de tanto sofrimento, são tantos questionamentos, tanto medo, tanta dor, que chega a ser angustiante acompanhá-lo.

“- Nós não fizemos nada de errado! Como nosso amor pode ser considerado horrível, quando não estamos fazendo mal a ninguém? Seus olhos descem aos meus, brilhando úmidos na penumbra. – Não sei – sussurra. – Como uma coisa errada pode parecer tão certa?” (Página 131)

Como começar a defender uma história como essa? Como é possível aceitar algo assim? Eu, sinceramente não sei. Porém, apesar dessa leitura tão intensa e insana, ainda não tenho palavras para definir o quanto esse livro me impactou, quantas reflexões e emoções diferentes ele me transmitiu, o quão linda é Maya e seu amor tão transparente e sem medos.

Lochan, que foi me conquistando mesmo com todos os seus conflitos internos, deixando meu coração em pedaços a cada capítulo. As crianças, que deram um toque todo especial a trama e o quanto essa história é impiedosa e ao mesmo tempo tão imaculada.

Não é um livro fácil e definitivamente não é para qualquer pessoa, acredito que é preciso uma dose extra de coragem, desprendimento e acima de tudo, amor, na sua concepção mais pura, para entender, aceitar e até torcer por um relacionamento condenado como esse.

“Mas como explicar ao mundo exterior que Lochan e eu somos irmãos apenas por causa de um acidente biológico?Que nunca fomos irmãos na acepção da palavra, mas sempre parceiros, tendo que criar uma família real à medida que crescíamos? Como explicar que jamais senti Lochan como irmão e sim como algo muito, muito além disso – minha alma gêmea, meu melhor amigo, parte das próprias fibras do meu ser? Como explicar que essa situação, o amor que sentimos um pelo outro – tudo que aos olhos da sociedade pode parecer doentio, pervertido e repulsivo -, para nós é totalmente natural, maravilhoso e …tão certo?” (Página 238)

Não há dúvida de que se trata de um livro perturbador, reflexivo e dilacerante que caminha por linhas tortuosas entre o certo e o errado, o pecador e o pecado. Mas, ao mesmo tempo é doce, emocionante e visceral, fazendo com que valha a pena cada página lida.

Tabitha Suzuma construiu uma história belíssima, fazendo com que seus personagens conquistassem o coração de seus leitores a ponto de deixar o contexto incestuoso de lado e concentrando-se apenas na vida dessa família e no amor desse casal, mesmo que isso não signifique um felizes para sempre.